Metal na Lata

Les Memoires Fall – “The Tree: Yarns Of Life” (2020)

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Les Memoires Fall – “The Tree: Yarns Of Life” (2020)
Black Hearts Records
#DeathDoomMetal#AtmosphericDoomMetal#DoomMetal

Para fãs de: Morgion, Anathema (antigo), Lacrimas Profundere (antigo), My Dying Bride

Nota: 8,0

Fundada em São José dos Campos no ano de 2011, a Les Mémoires Fall finalmente chega ao capítulo de número dois em sua discografia. Do split ao lado do Lúgubres lançado em 2012 ao registro de estreia de 2014 – “Endless Darkness of Sorrow”, ouvimos uma banda em constante mutação — sonora, estrutural e estética. Sua sonoridade instalava-se entre o Gothic, o Doom e o Death Metal do início dos anos noventa, com vultos influentes da estatura do My Dying Bride, Anathema (dos tempos cinzas) e das fusões iniciais do sempre irrotulável, The Gathering.

“The Tree: Yarns Of Life” começa belo por sua arte e tal beleza prolonga-se ao conceito e conteúdo – Seis faixas de um Doom Metal carregado, esparso e cheio de frases que remetem tanto aos clássicos da época perdida, quanto ao contemporâneo. A bateria soa abafada, seca e correta, mas dinâmica quando necessário e veloz em alguns momentos. Os riffs são criativos, bem encaixados e bem postos, às vezes mais propensos ao tradicional que ao Death-Doom/Gothic Metal comum à banda; um exemplo de tal propensão fica em “Vacuum” – faixa que traça um paralelo entre todos os elementos do disco.

“Creation” apresenta mais desenvoltura e um melhor acabamento, discretamente atmosférica, numa linha muito próxima ao HellLight – numa espécie de épico ou um momento de contemplação: vida, beleza e dor sempre em transição – infinitas em sua mortalidade, na eternidade da valsa das horas.

O restante do trabalho é composto por quatro faixas que comungam de certas semelhanças estruturais e arranjos. Interligadas pelo seu conceito de mudança, da sujeição às leis do tempo e aos ciclos constantes do mesmo. O entendimento do verbo ser, as fases e a consciência de que as transformações são a única essência de tudo e todos.

“Spring”, “Summer”, “Autumn” e “Winter” aromatizam uma melancolia transitiva. Monolíticas, de peso acre e comedida obscuridade. Citar destaques entre e dentro delas não é de grande valia, visto que todas valem-se de construções muito similares: bons riffs e aguçado senso harmônico. Os teclados surgem esporadicamente em linhas suaves e discretas, quanto aos vocais, vão dos guturais ao limpos com naturalidade, nada que exceda ou falte. A atuação do baixo foi posta em destaque e cumpre uma dupla função; ora encorpando as composições e noutras, criando melodias junto às guitarras; e por vezes, trechos onde ele desenvolve-se independente dos demais instrumentos. Vide a última e estupenda faixa, “Winter”.

O Les Mémoires Fall chega a uma nova fase em sua discografia e em sua arte. “The Tree: Yarns Of Life” é um álbum expressivo, honesto e dono de uma sincera elegância… Música para se ouvir, sentir e pensar.

Fábio Miloch

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