
Lunar Swamp – “UnderMudBlues” (2020)
Fuzzy Cracklins Presents
#StonerRock, #PsychedelicBlues, #DoomMetal
Para fãs de: Orange Goblin, Uncle Acid and the deadbeats, Danzig
Nota: 9,0
A Itália tem uma relação de longa data com o Doom Metal, relação essa, baseada no respeito e no quase ardoroso zelo pela tradição, pelas artesanais formas de se escrever exemplares musicais com ambientes únicos. Paixão, riffs lentos, psicodelismo e culto ao horror clássico, completam o DNA – ou melhor – a fórmula alquímica que é, o som feio e sujo fabricado por lá.
Oxigenando as raízes do sempre ótimo, “Slow Metal Made In Italy”, de Catanzaro, chega o recém-nascido Lunar Swamp, que acaba de lançar sua epístola de estréia, “UnderMudBlues” – um senhor de um aguça paladar auditivo que tem, entre seus variados e finos temperos, muito de Southern Rock, Stoner, uma veia que pulsa Bluesy e experimentalismos setentistas.
Indo da garagem à psicodelia, “Shamanic Owl” chega com seus ares de despretensiosa jam, sólida e com riffs embebidos nos ritos ‘sabbathicos’ iniciais, e se a intenção era cativar logo a princípio, bem, tal façanha foi concluída com êxito. Ainda em terreno pantanoso e com a visível intenção de adentra-lo sem medos ou firulas; “The Crimson River” é veneno puro – ácidos e muito fuzzy, cuja ousadia, ainda ostenta belas e bem sacadas linhas de gaita.
Se o conteúdo é admirável, é válido ressaltar a ótima arte da capa, méritos a Damiana Merante, que soube criar o ambiente visual ideal para acolher a lógica da banda e sua linhagem sonora, na profecia que diz: “a arte imita o riff” ou “o riff cria a arte”, tanto faz, a arte é sensacional do mesmo modo.
Ainda a bordo da nau psicodélica e dando sequência à viagem, “Magic Circle At Twin Moons” é o ponto de vertigem entre os outros, também altos pontos, peso em profusão e riffs catedráticos. “Green Swamp” é o Doom Metal em categórica versão, corpuda, latente e deliciosamente maligna. Por fim “Creeping Snakes”, uma curta trilha acústica – sabiamente ambientada por sons noturnos, prenúncios de chuva, a vivência noturna quando a luz adormece e tudo é mistério a olho nu.
Uma poderosa e preciosa estréia, um trabalho cuja sonoridade é meticulosa, sutil, ainda que sem muitas pretensões estilísticas, a Itália e suas bandas de rara inspiração. Os riffs lentos e sujos criados há mais de cinquenta anos, ainda ecoam com a mesma força e intensidade que antes, graças a bandas como essa e a discos como esse, ao Doom Metal italiano, minhas reverências.
Fábio Miloch





