
Aevum – “Multiverse” (2020)
Dark Tunes
#SymphonicMetal, #GothicMetal
Para fãs de: Within Temptation, Amaranthe, Epica
Nota: 8,5
De que a Itália é um dos grandes celeiros do metal mundial, todos nós já temos alguma ideia. Mas é interessante, mesmo em tempos de overdose de ideias musicais, ver bandas que se esforçam para sair do “mais do mesmo”, ainda que em meio a cenários que muitos já dariam como esgarçados. Aevum é uma banda fundada em Turim – Itália, que conta com nada menos que oito integrantes, entre italianos e franceses. Em março de 2020, lançam o “Multiverse”, seu terceiro álbum completo de estúdio.
A banda conta com duas vozes principais e uma de apoio. Lucille Nightshade, a front-woman, assume suas linhas com competência, dos sopranos clássicos às passagens mais abertas. Neste gênero, temos bandas gigantescas no cenário, capitaneadas por front-women como Simone Simmons, Floor Jansen e Sharon den Adel, que estão onde estão por puro talento, técnica vocal, presença e singularidade. Lucille desbrava os caminhos até o front com uma boa dose de interpretação, entrega, e técnicas vocais, que denotam o seu empenho em se aproximar das grandes titãs do metal sinfônico. Hydra assume os vocais guturais e a maior parte das vozes limpas masculinas, e Richard, tecladista, assume os backing vocals. O trabalho de vozes do álbum é interessante, mas Hydra deixa a desejar um pouco na pronúncia e interpretação dos trechos limpos, apesar da boa imposição nos guturais.
Neste trabalho, percebemos que o Aevum tem buscado explorar outros elementos para trazer um diferencial ao seu trabalho. Ian, um dos membros, é o responsável pelo uso dos sintetizadores para sonoridades artificiais mais modernas, à semelhança do que observamos nos trabalhos da banda Amaranthe. E, além disso, a abordagem lírica da banda também tem o seu diferencial. Deixam um pouco a clássica abordagem fantasiosa e gótica, comum nas bandas de metal sinfônico, e exploram conceitos de História e Arte, abordando trabalhos literários, teatrais e operísticos. Realmente é um álbum que também vale a pena ser ouvido acompanhando as letras.
No geral, o álbum soa intenso e pesado, e mal te dá tempo para respirar. Mas é harmonicamente bem elaborado e explora momentos singulares. Há uma infinidade de momentos, do pesado ao folclórico, mas sempre mantendo uma intenção de tirar o fôlego. Há passagens de violões, trechos cantados em francês e italiano (“Hopeless”, “Tair”), a belíssima “The Garden of Mars” que traz uma sonoridade um pouco mais folclórica, com variações de tempo bem exploradas, e um gran finale instrumental bastante interessante (“Cessate, ormai cessate”). “Tair”, por exemplo, tem um momento com um solo de violão em meio a palmas, que só peca por não ter durado mais. Todo esse mosaico musical é criado de forma incrivelmente concisa.
As guitarras são bem divididas, complementares, com riffs cortantes e bonitos. As linhas hora dobram, hora se alternam, hora se dividem em bases e riffs/melodias, o que cria um resultado geral bonito e pesado. Nesse contexto o teclado, o piano, e os sintetizadores também se encaixam de forma bastante independente, mas ainda costurando as linhas de guitarra para dar sentido ao todo, adicionando seu complemento com maestria. Ouça “The Time Machine”, “Cold Spot” e “Fratricide” com fones de ouvido, e veja como cada parte do instrumental faz seu traçado melódico sem roubar a atenção na totalidade, e criando um contexto muito agradável.
No geral, o Aevum fez um excelente trabalho, em um álbum que peca em muito poucos quesitos. Apesar de recém-lançado, ainda é difícil encontrá-lo nas plataformas digitais; mas se você é fã do gênero, é uma boa recomendação. Um diamante ainda não lapidado, que certamente vai abrir seus horizontes musicais.
Will Menezes (Colaborador)





