Marilyn Manson – “Heaven Upside Down” (2017)

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Marilyn Manson
 – “Heaven Upside Down” (2017)

Loma Vista Recordings
#IndustrialMetal, #AlternativeMetal

Para fãs de: Rob ZombieRammstein

Nota: 9,0

Eis que, após algum atraso, chega às lojas o novo álbum de Marilyn Manson – o décimo de inéditas de sua carreira. Programado para sair em fevereiro deste ano, com o título “Say 10”, o lançamento foi postergado diversas vezes sob várias justificativas, dentre elas a morte do pai do cantor.

De acordo com o próprio, o adiamento foi benéfico, pois, ao longo da espera, surgiram 3 novas músicas para integrar o álbum: “Saturnalia”, “Kill 4 Me” e “Heaven Upside Down”. Seja como for, o material entregue atende às expectativas dos admiradores da banda – é um meio-a-meio de músicas mais pautadas no Industrial e de outras baseadas no Gothic Rock/Alternative Metal com uma pegada blues bem interessante.

A produção de Tyler Bates e sua participação em diversas composições ajuda a manter o estilo mais centrado naquela linha acessível inaugurada em “Mechanical Animals” e retomada com alguns flertes com o Rock Alternativo em “Eat Me, Drink Me”, álbum a partir do qual é possível perceber cada vez mais o Brain Warner nas composições apagando um pouco a presença de seu alter ego.

Para quem não sabe, Tyler Bates é um especialista em trilhas sonoras, tendo participado de grandes produções, tal como “Guardiões das Galáxias”, e trata-se também de um guitarrista pra lá de competente. E sabemos que Manson sempre precisou de um braço direito para dar vida a suas ideias musicais, desfilando na formação da banda grandes músicos com Daisy Berkowitz, John 5, Tim Skold e o extravagante baixista Twiggy Ramirez.

Quer porrada Industrial? Vá com “Revolution 12”, que inaugura o álbum com uma pegada semelhante a “Irresponsible Hate Anthem”; em “I Know Where You Fuckin Live” o clima Industrial soturno continua marcando presença e ganha cadência na excelente “Say 10”; “Golden Age of Grotesque” é revisitado em “Je$us Cri$i$”; se você prefere algo mais inspirado em Ghotic Rock/Alternative Metal, vá com “Kill 4 Me”, “Blood Honey” e “Heaven Upside Down” e encontrará – por sinal, estas duas últimas são partes de um mesmo tema que relembra a dobradinha que encerra “Mechanical Animals”: “The Last Day on Earth” e “Coma White”.

Agora, a grande obra do play é “Saturnalia”, que retoma o Gothic Rock de “Bella Lugosi Is Dead”, de Bauhaus, devidamente atualizado e que aponta um interessante caminho para as composições de Marilyn Manson no futuro – obscura, contundente, atemporal. Vale destaque também para “Threats of Romance”, uma balada gótica muito bem composta, com pianão na condução e interessantes arranjos de guitarra e sintetizadores.

Além disso, temos toda a extravagância na produção do trabalho, os cuidados na construção de ambiências obscuras que são singulares e a forma peculiar de Manson escrever as letras das músicas – muitas vezes retomando os temas profanos e anticristãos, como em “Say 10” e “Jesus Crisis”, além daquela sinceridade ao expor suas fraquezas e demônios pessoais (relacionamentos conturbados e cocaína). E, claro, os refrãos grudentos e bem sacados são um capítulo à parte – não há como não cantar junto “Kill 4 Me”, “Say 10”, etc.

Enfim, trata-se de um mais um trabalho autêntico e consistente do artista, que não se contenta em viver de suas glórias passadas faturando horrores em turnês nostálgicas, como muitas bandas preferem fazer hoje em dia, vivendo apenas de coletâneas e álbuns e DVDs ao vivo “caça-níqueis”. Manson mostra-nos que sabe se reinventar e buscar soluções novas e retemperar velhos truques com muito bom gosto, sempre seguindo em frente, inacabado. Ponto para ele.

Wallace Magri

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