
Molly Hatchet – “Battleground” (2019)
Steamhammer
#SouthernRock
Para fãs de: Lynyrd Skynyrd, Allman Brothers, 38 Special
Nota: 10
A reta final de 2019 ganha mais um competidor em busca do cinturão de melhor disco ao vivo do ano. Na ativa desde 1971, o Molly Hatchet já não conta mais com seu principal integrante, o guitarrista e fundador Dave Hlubek, morto em 2017 e, em abril passado, sofreu ainda a perda do vocalista Phil McCormack, que ocupava o posto desde 1995. Mesmo assim, uma forte demanda dos fãs em todo o mundo levou o grupo, sob a batuta do também guitarrista Bobby Ingram, a lançar um novo ao vivo — coisa que não fazia há mais de uma década. O resultado, prestes a ver a luz do dia nos formatos CD duplo e LP triplo via Steamhammer, é este “Battleground”, que basicamente encapsula todo o poder de fogo do quinteto vanguarda do Southern Rock e reforça algo que já estamos carecas de saber: o habitat natural de bandas como o Hatchet é, indubitavelmente, o palco.
As gravações têm origens diversas: Pratteln (Suíça), Ludwigsburg (Alemanha) e inúmeras cidades dos Estados Unidos visitadas durante a turnê de 40º aniversário da banda, que viria a ser a última com McCormack. A escolha do repertório, segundo Ingram, foi feita pelos próprios fãs, levando em conta músicas que careciam ainda de uma versão ao vivo. Sendo assim, o produto final reúne nada menos que cinco músicas de “Justice” (2010), o último de inéditas, incluindo a épica faixa título, em seus esplendorosos oito minutos. “A justiça não escolhe lados”, diz a letra. Será mesmo?
Na raia dos hits, “Flirtin’ with Disaster” — maior colocação já obtida pelo grupo na Billboard, 42º lugar em 1980 —, divide espaço com a aula de história “Fall of the Peacemakers”, repleta de referências: de John Lennon, do qual cita “Imagine” e “Give Peace a Chance”, a John Kennedy e Martin Luther King. Como não existe Southern Rock 0% álcool, “Whiskey Man”, por mais que a letra seja quase um tratado antibebedeira, pede uma dose ao estilo caubói. Já no que seria a abertura do bis, com dois minutos de duração, “Jukin’ City” fornece uma visão do paraíso sob a ótica sulista: “Pisos de serragem, chope gelado e mulheres por todo lado.” Se for verdade esse “bilete”, onde posso comprar minha camiseta com os dizeres “Somos todos sulistas”?
Marcelo Vieira




