Motörhead
– “1916” (1991)
WTG Records
#RockAndRoll, #HeavyMetal
Nota: 10
Quatro anos separam o insípido “Rock ‘N’ Roll” de “1916”. Nesse ínterim, o Motörhead lançou seu terceiro ao vivo (“Nö Sleep At All”) antes de romper com a GWR Records e Lemmy Kilmister trocar o Reino Unido por Los Angeles, estabelecendo-se em West Hollywood, a uma caminhada de distância do Rainbow Bar & Grill de onde se tornou frequentador assíduo sempre que não estava em turnê. A mudança de ares influenciou no som daquele que se tornaria o nono álbum de estúdio do Motörhead, primeiro pela WTG Records, subsidiária da Epic que era lar de nomes pequenos como Johnny Crash, Jason Bonham e Beau Nasty.
Lançado em 26 de fevereiro de 1991, “1916” traz a primeira balada do Motörhead (“Love Me Forever”, regravada por Doro anos mais tarde), além de instrumentos que jamais pensaríamos ouvir em músicas do grupo, como saxofone em “Angel City” e violoncelo na faixa-título, um doloroso tributo aos jovens soldados mortos na Primeira Guerra Mundial. Mas o rock ‘n’ roll de alta octanagem segue tendo mais presença, como no single “I’m The One To Sing The Blues” e “I’m So Bad (Baby, I Don’t Care)”, que ganhou videoclipe. Ambas as canções fizeram sua estreia nos palcos antes mesmo de serem gravadas.
Há também um tributo de um minuto e meio aos Ramones (“R.A.M.O.N.E.S.”), que seria regravado no derradeiro “¡Adios Amigos!” (1995), e “Going To Brazil” — pense num Chuck Berry doidão de metanfetaminas — feita após a primeira passagem do Motörhead por terras tupiniquins. Documento definitivo do que considero o melhor line-up do grupo — Lemmy, Wizzö, Würzel e Philty Animal —, “1916” chegou ao 24º lugar na parada britânica, mas nos Estados Unidos não passou do número 142 na Billboard. E não vou nem falar do Grammy que perdeu para o Metallica em 1992.
Marcelo Vieira





