
Nervosa – “Perpetual Chaos” (2021)
Napalm Records | Dynamo Records
#ThrashMetal, #DeathMetal
Para fãs de: Destruction, Kreator, Motorhead, Bloodhunter, Slayer
William Ribas
Nota: 9,0
O novo álbum da Nervosa foi lançado há alguns meses e a história por trás da cortina dos bastidores vem sendo contada em diversos lados há pouco mais de 1 ano. Todos sabemos o que aconteceu, quem saiu, quem entrou, então, o foco da resenha é puramente musical, sem qualquer picuinha ou partidos.
“Perpetual Chaos”, é um disco agressivo, elaborado para bater cabeça e feito para o mosh pit. A guardiã da banda, a guitarrista Prika Amaral recrutou três musicistas de calibre alto — Diva Satanica (vocal), Mia Wallace (baixo) e a extraterrestre Eleni Nota (bateria), transformando a banda num quarteto sólido e indestrutível, um verdadeiro míssil de destruição em massa como todos podem comprovar diante das 13 faixas lançadas.
“Venomous” abre com riffs demoníacos de Prika, um urro infernal de Diva e um “corre-corre” no instrumental mostrando a brutalidade que amamos caindo em refrões prontos para os shows (inclusive, o disco está recheado deles). “Guilded by Evil” tem aquele clima a lá Slayer, soturno e agressivo com a guitarra sendo o carro chefe guinando todos para trevas. A terceira faixa, “People Of The Abyss”, é justamente a minha favorita, pois Eleni Nota mostra que veio do mesmo planeta que o “marciano” Dave Lombardo e segue os ensinamentos do seu “irmão” Eloy Casagrande, elaborando linhas de bateria aqui humanamente impossíveis, fazendo-a ser candidata a melhor baterista de 2021 sem sombras de dúvidas.
Diva soa perfeitamente bem entrosada, trabalhando de forma empolgante, como por exemplo em “Until the Very End”, “Kings of Domination” e “Time to Fight”, sabendo muito bem dosar suas diversas facetas, não deixando a coisa se tornar monótona, despejando diversificação ao ouvinte — algo que também se aplica ao instrumental, afinal, vamos do Thrash ao Black, do Death ao Rock N Roll tudo num piscar de olhos. A participação do “açougueiro germânico” Schmier (Destruction) em “Genocidal Command” é a típica faixa thrasher da terra do chucrute, que serve como uma volta do grupo ao seu primeiro álbum — “Victim of Yourself”, onde o destaque fica para o baixo de Mia, bem pesado e com passagens de certa forma lembrando Jason Newsted graças as palhetadas “brutas”.
A hipnótica “Blood Eagle” é o ar de respiro aos nossos pescoços, pois sua forma cadenciada soa como uma trilha sonora de ‘suspense’, deixando o coração disparado esperando o ataque mortal de uma águia assassina. “Rebel Soul” surge como uma homenagem ao Deus Lemmy Kilmister, sorrateiramente trazendo uma boa mistura entre Motörhead e Nervosa, e tornando-se um dos destaques do trabalho por conta da participação do vocalista Erik Ak (Flotsam & Jetsam) num dueto interessantíssimo, brutal e melódico nas linhas vocais com Diva.
O encerramento com “Pursued by Judgement” e “Under Ruins é, de certa forma e analogamente, como disputar uma maratona importantíssima e ganhar medalha de ouro após uma grave cirurgia no joelho, com uma recuperação rápida e surpreendente. As duas faixas são distintas, mostrando, de uma vez por todas, a cara dessa nova formação, com 4 mulheres, de países, influências e musicalidade diferentes, mas que formam, hoje em dia, uma das melhores bandas do mundo. Sem dúvida, um dos melhores lançamentos de 2021!
William Ribas





