“O Senhor dos Metais: A Influência de J.R.R. Tolkien no Rock & Heavy Metal” (Livro) (2020)

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“O Senhor dos Metais: A Influência de J.R.R. Tolkien no Rock e Heavy Metal” (Livro) (2020)
Editora Estética Torta

Nota: 9,0

A missão de “O Senhor dos Metais” (Estética Torta) não era nada fácil: contar a enorme influência de J. R. R. Tolkien nas bandas de Rock e Heavy Metal. O trabalho minucioso, realizado com maestria pelo autor Stefano Giorgianni, mostrou que livros como “O Hobbit”, “O Senhor dos Anéis” e “O Silmarillion” ajudaram a estabelecer a paisagem temática de gêneros tão distintos.

Um dos grandes acertos do livro foi sua estrutura, começando a história pela relação do próprio Tolkien com a música (ele odiava os Beatles, por exemplo). A jornada prossegue na linha do tempo com os hippies sessentistas se identificando com o simplismo da vida dos hobbits do Condado.

Algumas bandas mais notórias, como Led Zeppelin e Black Sabbath, ganharam subcapítulos a parte, fazendo justiça ao impacto que essas entidades causaram no mundo. O autor também fez uma divisão entre músicas “levemente inspiradas” por Tolkien, como seria o caso de “Stairway To Heaven” (Led Zeppelin), chegando em composições claramente tolkianas como “Mirror Mirror” (Blind Guardian).

Esses diferentes graus de profundidade são uma faca de dois gumes: por um lado, evidenciam o prestígio do autor em artistas inesperados como Queen e Uriah Heep. Por outro lado, a constante menção de bandas praticamente irrelevantes dá aquela vontade de “pular” até encontrar um nome famoso.

Em um dos momentos mais interessantes de todo livro, Giordanni retrata como o Black Metal se apropriou de personagens e lugares sombrios como Sauron, Morgoth e Mordor para difundir uma filosofia de caos em suas músicas.

Nesse sentido, bandas como Burzum e Summoning foram bastante exploradas, mostrando como a Terra Média pode ser um prato cheio para quem deseja explorar temas obscuros.

Diametralmente oposto a isso, a ascensão do Power Metal tolkiano na década de noventa revela o lado da luz dessa relação entre autor x compositor. Bandas como Nightwish, Elvenking e principalmente Blind Guardian carregaram e ainda carregam a bandeira de elfos, anões e antigos reis.

“O Senhor dos Metais”, por fim, é uma obra feita para quem realmente ama esses dois universos. O público mais nerd, ávido por cada gota de informação, encontrará nas quase 500 páginas do livro uma gama enorme de informação, para saborear cada detalhe dessa história.

O público mais curioso, por outro lado, descobrirá certamente uma infinidade de curiosidades sobre esse relacionamento que transbordou a fronteira das artes.

Gustavo Maiato

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