
Ode Insone – “A Origem Da Agonia” (2020)
Independente
#MelodicDeathMetal, #DoomMetal, #GothicRock
Para fãs de: Helevorn, The Forshadow, On Thorns I Lay
Nota: 8,0
Nada mais apropriado à poesia que o Doom Metal ou vice-versa – Baudelaire, Fernando Pessoa e Augusto Dos Anjos são em essência, Doom Metal. A melodia de seus sentires, de seus pesares e reflexões, possui tanto peso e lamúria quanto uma composição do My Dying Bride, por exemplo.
Oriundo de João Pessoa/PB, a Ode Insone tem uma sonoridade baseada no ecletismo – transitando entre o Melodic Death Metal, Doom e o Gothic Metal/Rock. Em 2018 lançaram “Relógio”, disco que obteve boas críticas e angariou muitos elogios.
“A Origem Da Agonia” foi lançado ano passado e tem os mesmos desenvolvimentos que o anterior, porém, mais consciente, maduro e lapidado. As guitarras e o instrumental como um todo, estão melhor acabados. Baixo e bateria estão melhor integrados, e fogem da sensação mecânica do trabalho de estréia; aliás, em termos de composição e produção houve um grande amadurecimento, as minúcias e os detalhes em cada arranjo foram pensados e executados com maestria.
A arquitetura das palavras funde-se à personalidade Doom Metal, na arrastada e aflitiva faixa título – uma das melhores do trabalho, sem dúvidas. Os vocais de Tiago Monteiro e Amanda Lins (Seeds Of Destiny) completam-se com a exatidão das almas gêmeas criadas por Shakespeare na inebriante, triste e poética, “A Valsa Dos Infelizes”.
Rodrigo Barbosa (Soturnos) empresta sua voz forte à pesada e melódica “Ode À João Pessoa” – onde as bases e solos chegam a lembrar bandas como o On Thorns I Lay e Helevorn. “Pássaros” é outro cenário a ser destacado no álbum, sua ambientação gótica é digna dos totens noventistas. “Entre Vermes Eu Respiro” é o momento fora do eixo do disco, mas não menos memorável.
“Conceba”, um Black Metal caótico e visceral, mas que em seu decorrer recebe acréscimos sofisticados de melodia, é o que essa faixa exibe, uma ida e volta ao caos sem perder o peso e nem a coesão.
O restante das faixas oscila entre a cadência e média velocidade, todas com boas idéias, melodias e solos precisos, créditos a Mad Ferreira e Lucas Souza. Uns poucos deslizes na escolha dos timbres da bateria e alguns ajustes na pós produção fariam um enorme bem ao som da banda – profissionalismo é evidente que eles possuem, conhecimento de causa também, mas tais faltas prejudicam a sua evolução. As falhas não ofuscam o brilho do trabalho, mas impedem que o mesmo brilhe de forma intensa.
Fábio Miloch





