Opposer
– “Darkest Path” (2017)
Morbid Shrine Productions
Nota: 8,5
Tem quem diga que não se faz Thrash Metal como antigamente, e que o gênero nos dias de hoje segue a tendência modernizada e diluída fugindo da crueza caracterizada pelo mesmo. Certo que em meio a evolução que o Heavy caminhou após os anos 90 com inserção de elementos diferenciados, sempre houve aqueles que defendiam o conservadorismo dos primórdios e outros que aceitavam o surgimento de derivados estilos. No entanto, é de se encher os olhos quando nos deparamos com bandas que optam em manter a linha clássica, direta e rústica.
O Opposer, que é de origem Espanhola, após longos anos desde sua formação em 1992 reúne suas gravações em fitas K7 e decidem apresentar ao mundo suas ideias e musicalidade a tanto esquecidos. No início tocavam covers dos seus ídolos (Metallica, Sepultura, Slayer, Kreator, Anthrax, Sacred Reich, Celtic Frost, Coroner, Deicide, Morbid Angel, … e etc.), que viria a servir de molde para a base Old school da banda.
Em 2017 apresentam seu mais novo registro “Darkest Path” onde mostram seu vigoroso Thrash/Death de maneira mais precisa e tecnicamente superior ao seu antecessor “Remember the Past” de 2013. O disco resgata a roupagem clássica do Thrash oitentista, inconfundíveis pelas guitarras sujas, bateria com afinações secas e baixo em tons graves salientando o peso. Jose M. Herrera administra bem as funções de guitarrista e vocalista segurando de forma eficiente a responsabilidade de frontman, com seu estilo vocal rasgado parcialmente parecido ao de Mille Petrozza do Kreator. Não menos importante Iván Santalla, que é um dos fundadores da banda, assume as baquetas com segurança e executa com precisão as rápidas e dinâmicas passagens Thrash/Death em sua batera.
Bastam apenas alguns segundos da faixa de abertura “Straight to Hell” e as referências saudosistas já começam vir à tona, nos fazendo pensar que se trata de um disco gravado em 1986.
“Osiris Land” é ótima para impulsionar um mosh com uma introdução convidativa ao estilo Anthrax, seguindo com riffs pesados e cadenciados de modo equilibrado.
“Satanas – Above of Crow” se diferencia um pouco das demais pelo andamento mais experimental sem sair da linha Thrash, num épico de 7 minutos.
Podemos apreciar demasiadamente a essência “Old School” também nas boas “Wrecking Low”, “In the Silent Dawn” e “Holy Lies”.
Num contexto geral, é difícil não se empolgar com o que é apresentado em “Darkest Path. Tendo como ponto negativo apenas a produção que poderia ter sido um pouco mais lapidada. Alguns irão dizer que eles não nos trazem nada de novo e pararam no tempo, entretanto o que vale ressaltar é que o intuito dos Espanhóis é resgatar as passagens cativantes e tradicionais que delimitaram o gênero em sua década de origem, nos presenteando com desenvoltura boas doses de Thrash Metal.
Will Bernardes





