Pantheïst – “Closer To God” (2021)

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Pantheïst“Closer To God” (2021)
Melancholic Realm Productions

#FuneralDoomMetal, #AtmosphericFuneralDoomMetal, #SymphonicFuneralDoomMetal

Para fãs de: Skepticism, Thergothon, Colosseum, Clouds, Shape Of Despair, Funeral

Nota: 9,0

Apenas três anos após lançar o fabuloso “Seeking Infinity”, o Pantheïst (uma das maiores instituições do Funeral Doom Metal mundial), volta com seu sexto trabalho de estúdio, intitulado, “Closer To God” (Melancholic Realm Productions). Registro esse que exibe uma banda revigorada, ciente de suas criações e ambições — coesa e muito, mas muito inspirada. A essência continua intacta, como também segue intacto, o desejo por explorar novas sonoridades (nem tão novas assim), conceitos e possibilidades. Vamos às impressões sobre a nova relíquia concebida pela mente ampla e apaixonada de Kostas Panagiotou.

“Closer To God” abre-se com a épica e desafiadora “Strange Times”. Uma genuína jornada cósmica — mágica, que se desenvolve em mais de vinte e três minutos de coros belíssimos, de camadas sinfônicas grandiosas, de ambientações diversas e elevações cinematográficas. Poucas bandas conseguem criar panoramas sonoros tão esplendorosos, singulares e repletos de possibilidades como o Pantheïst. Panoramas estes, que vão muito além da ação orgânica do ouvir — ou da busca automática por entendimento — você se torna parte da composição, experimenta cada um dos segundos da mesma e vivência todas as emoções que nela habitam. O tema avança promovendo um gigantesco banquete de texturas e nuanças diversas — ora calmarias divagantes derivadas do Rock Progressivo/Space Rock e noutras, a austeridade e solenidade do Funeral Doom Metal. O uso soberano do órgão, as guitarras floydianas, o pulso lento, mas pontual da bateria em comunhão com o baixo e o bailar solitário da flauta, cortesia de Andrei Oltean (Lochrian Poem, Clouds) fazem desta uma das melhores músicas não apenas do Pantheïst, mas do Funeral Doom em totalidade. Monumental. Ousadamente monumental!

Mantendo traços da faixa anterior chega “Erroneous Elation” — como um fragmento de um sonho, ou mesmo, uma pequena extração de um trilha sonora. Aqui, devidamente envolta nas fragrâncias musicais do imortal maestro de talento inestimável, Ennio Morricone. Existem bandas que confeccionam álbuns e outras que forjam universos de sons e sensações. Kostas e companhia obviamente integram o segundo grupo. As emanações acústicas entrelaçadas às vocalizações sublimes e às batidas marciais logo transmutam-se na faixa seguinte — em mais um capítulo dedicado a contemplação chamado “Wilderness”. A faixa exibe os mesmos elementos das anteriores. As atmosferas crescentes, as teclas tão habilmente inseridas — tanto como adorno quanto como preenchimento e o peso tirânico promovido pelas guitarras de Nereide (Hidden In Eternity) e Jeremy Lewis (Dalla Nebbia, Mesmur). Sobre os vocais de Kostas Panagiotou uma nota: um bom vocalista de Doom Metal não precisa ser altamente técnico e preciso em suas extensões, mas tem, por obrigação, que saber transmitir emoções e dar sentimentos reais às suas letras. Kostas sabe disso e é justamente por ter essa sabedoria que ouvi-lo é sempre um prazer inefável.

As cortinas do disco fecham-se na saudosista “Of Stardust We Are Made (And To Dust We Shall Return)”. Curta, mas não reta e aberta a diversas dinâmicas vocais e transições instrumentais inspiradíssimas. Nela a banda revisita toda a diversidade de ideias exibidas  no decorrer do álbum e cria uma espécie de “mini obra-prima”. A saudade, o vazio e toda a vastidão do Universo coabitam essa música.

“Closer To God” exibe meticulosidade em tudo. Desde sua magnífica arte, assinada por Cheryl Panagiotou, até sua produção — dividida entre o novo guitarrista da banda, Jeremy Lewis e o mestre Greg Chandler (Esoteric). O Pantheïst demonstra uma vez mais o porquê de ser tão reverenciado e único, mesmo navegando num oceano de cliches repetidos a exaustão (não por eles, que fique claro) e cópias que vendem mais rótulos que a arte propriamente dita. Sua música não possui apenas alma, mas também audácia, honestidade e inteligência (vide as letras tão habilmente escritas). Um dos melhores álbuns de Funeral Doom Metal do ano e que com toda certeza ecoará suas qualidades para os próximos. Quem afirma não haver beleza na melancolia desconhece o Pantheïst!

Fábio Miloch

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