Shape of Despair – “Monotony Fields” (2015) (Relançamento/2020)

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Shape of Despair“Monotony Fields” (2015) (Relançamento/2020)
Death Cult Records | Cold Art Industry Records
#FuneralDoomMetal, #DoomMetal, #AtmosphericDoomMetal

Para fãs de: Doom:VS, Evoken, Eye of Solitude

Nota: 9,0

Este belo trabalho dos finlandeses do Shape of Despair foi lançado, originalmente, em 15 de junho de 2015. Já no Brasil, o relançamento do álbum ocorre em 2020, sendo fruto direto da cooperação entre os selos Cold Art Industry e Death Cult Records. “Monotony Fields” é o quarto álbum da banda, surgindo onze anos após “Illusion’s Play” (2004). Mas, apesar deste grande espaço entre os lançamentos, o sexteto não perdeu a vocação para construir melodias densas e sombrias. Segundo a revista norte-americana Decibel Magazine, o álbum esteve entre os 40 melhores trabalhos lançados no ano de 2015.

A formação atual da banda conta com os vocalistas Henri Koivula e Natalie Koskinen, os guitarristas Jarno Salomaa (solo/tecladista) e Tomi Ullgrén (base), o baixista Sami Uusitalo e o baterista Samu Ruotsalainen. Este grupo de músicos construiu, em exatos 74 minutos, uma atmosfera de desespero, desalento e, surpreendentemente, encanto. De uma forma geral, “Monotony Fields é muito bom. A banda produziu uma expedição sonora que soa mais plena se degustada após a audição completa das 8 músicas. A sensação é que, neste álbum, há uma única música, e não falo isso com demérito, ao contrário. Percebe-se um equilíbrio bastante consistente ao longo de todas as faixas.

Na faixa de abertura “Reaching the Innermost”, destaco os teclados que conseguiram criar uma ambiência profunda e introspectiva. Enquanto “Monotony Fields” ecoa como um canto fúnebre, “Withdrawn”, embora densa, é envolvente e suave. A vocalista Natalie Koskinen dá um perfeito toque de equilíbrio a esta canção. Elejo a faixa “The Distante Dream of Life” como a minha preferida deste álbum. Ela começa menos “funeral” e mais aproximada de elementos próprios do Heavy Metal.  Além de influências do Draconian, também lembra o trabalho que o Anathema faz atualmente, principalmente no que se refere aos vocais limpos. São canções movidas pelo sentimento, capazes de criar uma perfeita conexão com o ouvinte.

Fazendo um contraponto ao grande trabalho que tive o privilégio de avaliar, expresso que os vocais guturais de Pasi Koskinen em “Illusion’s Play” eram mais harmônicos com a proposta da banda do que os grunhidos de Henry Koivula. Mas, trata-se somente de uma observação que não possui o poder de diminuir a relevância deste álbum.

Musicalmente, a banda consegue criar um clima intensamente cativante, com bons arranjos, vocais “clean” muito coesos e agradáveis. A minha percepção é que “Monotony Fields” pode ser descrito como um importante álbum de Doom Metal de nossa era. Eu encorajo aos fãs do estilo, firmemente, a apreciar este soberbo álbum.

André Nasser

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