The Taciturn – “The Ultimate Sickness” (2020)

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The Taciturn – “The Ultimate Sickness” (2020)
Eclipsys Lunarys Productions
#FuneralDoomMetal, #AtmosphericFuneralDoomMetal

Para fãs de: Colosseum, Profetus, Frowning, Deos, Thergothon

Nota: 8,5

“Na minha opinião, o Doom metal é a forma artística musical mais precisa para traduzir sentimentos mais profundos, pois ele é o único estilo dentro do Metal que consegue agregar peso, obscuridade e beleza. Músicas com uma beleza incomparável e com uma carga emocional enorme, muitos sentimentos envolvidos. Talvez isso seja um dos motivos pelo qual o Doom não é um estilo popular, pois nem todo mundo está preparado para entrar em contato com esses tipos de sentimentos e emoções.” — Fábio De Paula (HellLight).

Essas palavras dizem muito sobre “The Ultimate Sickness” — o primeiro registro oficial do trio curitibano que dedica suas forças ao Funeral Doom Metal, The Taciturn. A banda já soma oito anos de existência e, apesar de ser um nome relativamente novo, o mesmo já tem uma rica história e um pesado currículo dentro do circuito Underground — em seu núcleo estão: Paulo Kolb e Wagner Müller (ambos ex-membros do cultuado Lachrimatory; não conhecer ou jamais ter ouvido uma joia chamada “Transient” pode e deve ser julgado como heresia.) Enquanto o primeiro desempenha sua arte na bateria, o segundo acumula a tripla função de dedicar-se aos vocais, teclados e guitarras, junto a eles, completando o trio, o baixista Daniel Kröker.

Com uma bela apresentação visual assinada por Paulo Kolb e um trabalho de estúdio que se insinua ao primor, créditos ao eterno Sarx Thanatos, Maiko Thomé Araújo (Archityrants, De Profvndis Clamati, Amen Corner e do já citado Lachrimatory), “The Ultimate Sickness” abre-se em quatro faixas divididas como capítulos e soma a elas uma cover surpreendente para “Fallen” do Shape Of Despair. E que seja dito que em cerca de quarenta e seis minutos temos um acervo de atmosferas que se curvam à obscuridade; indo da angústia ao etéreo com uma desenvoltura singular.

Os teclados e as guitarras dividem o protagonismo na sonoridade do The Taciturn; o primeiro por confeccionar as ambientações e cenários que as composições necessitam, além de sublinhar a personalidade lúgubre e solene das mesmas. Quanto às guitarras, são elas as colunas que sustentam de forma catedrática o peso do disco — em linhas limpas, melódicas e em riffs longos cujo amargor passa dos ouvidos ao paladar e fixa-se na alma.

Indicar destaques em discos desse porte só é necessário se a vaidade do leitor assim querer, as faixas são como estados de espírito, relevos do tempo, pinturas em movimento, o velar da melancolia num estado que vai da contemplação ao êxtase. “The Ultimate Sickness” soa como uma trilha pelos confins da razão e do emocional — profundo, inóspito e desesperador como todo bom compêndio que se vale dos escritos arcanos do Funeral Doom deve ser. E vai muito além de um repertório que se guia morosamente pelas artérias, como se as mesmas fossem câmaras mortuárias à vontade. O que é ouvido aqui é o som de um coração a falhar, enfraquecido e cansado, pedindo por repouso. O The Taciturn em sua compreensão da arte em estado comatoso compôs não um disco, mas uma cinza e pesada mortalha sonora.

Fábio Miloch

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