
Philip H. Anselmo & the Illegals
Local: Bar Opinião, Porto Alegre/RS
Data: 29/01/2019
Produtora: Abstratti Produtora
Texto: Sergiomar Menezes
Fotos: Uillian Vargas
O dia 29 de janeiro de 2019 entrou, definitivamente, para um dos mais históricos com relação aos shows de Heavy Metal na capital dos gaúchos. Numa terça-feira de calor beirando o insuportável, Porto Alegre recebeu, em mais uma grande iniciativa da Abstratti Produtora, Philip H. Anselmo & the Illegals. E se você não entendeu o “histórico” da primeira fase, vamos lá: trata-se da banda atual de Phil Anselmo, ex-vocalista de uma das bandas que revirou o cenário do metal nos anos 90: o Pantera!
Falar aqui sobre a importância da banda, seus álbuns, e tudo que ocorreu de bom e ruim em sua trajetória são coisas desnecessárias, afinal, se você é leitor do Metal Na Lata isso não é novidade.
A ansiedade por parte do público era muito grande. E não era pra menos, pois em 1998 houve o cancelamento de um show que o Pantera faria aqui, e dessa forma, a capital gaúcha ficou sem poder assistir a destruição que Phil Anselmo (vocal), Dimebag Darrel (guitarra, R.I.P.), Rex Brown (baixo) e Vinnie Paul (bateria,.) proporcionavam aos fãs quando estavam no palco. E tendo em vista tudo que aconteceu desde o fim da banda, parecia realmente impossível que tivéssemos a oportunidade de presenciar, mesmo que reproduzidos por uma parte da banda, clássicos absolutos do metal como “Mouth For War”, “Becoming”, “Walk”, entre tantos outros.
Confesso que quando foi anunciada a turnê não fiquei muito animado, mesmo sabendo da qualidade do grupo atual do vocalista. Mas depois que o próprio Phil resolveu prestar um tributo aos irmãos Abbot falecidos, dedicando metade do set ao Pantera (que na realidade foi bem mais do que a metade), não havia outra palavra que pudesse definir esse show a não ser IMPERDÍVEL! E posso até estar enganado, mas acredito que de 80 à 90% do público presente estava lá para ver e ouvir os clássicos do saudoso grupo. E pela reação apresentada à cada faixa executada, ficou comprovado que era isso mesmo.
Exatamente ás 21hs, Phil Anselmo sobe ao palco juntamente com sua banda (muito boa, diga-se de passagem). Agradecendo ao público, logo de cara detonam “Bedridden”, uma faixa pesada e bastante intensa, presente em “Walk Through Exits Only”, lançado pelo grupo em 2013. Muito bem recebida pelo público, a faixa mostrou uma banda entrosada e pesada, com destaque para os guitarristas Mike De Leon e Stephen Taylor. Aliás, cabe ressaltar a performance insana e extremamente pesada de Mike, que não parou um minuto sequer durante todo o show. Em seguida, tivemos “Little Fucking Heroes”, outra pedrada, só que presente no mais recente trabalho do grupo, “Choosing Mental Illness as a Virtue”, de 2018. Phil Anselmo se mostrou bastante comunicativo e até mesmo simpático durante todo o tempo, cumprimentando a galera da grade, falando bastante e principalmente mostrando que está em ótima forma! Sua voz que em alguns vídeos de anos anteriores parecia estar indo embora, está muito melhor. Talvez isso se deva ao fato de que o vocalista anda “mais limpo”, como ele mesmo diz. Tome mais porrada dos Illegals com “Choosing Mental Illness”, assim como “The Ignorant Point”.
Vale destacar, também, a pegada da cozinha do grupo, composta por Walter Howard (baixo) e Joey Gonzalez (bateria), que dão a base pesada e brutal que o som do Illegals pede. Para encerrar a parte dedicada ao Illegals, veio a densa “Walk Through Exits Only”. Daí em diante meu amigo, sai de baixo!
Não era novidade para ninguém que esse era o momento mais esperado, aquele que seria dedicado exclusivamente ao Pantera. Phil pega o microfone e pergunta: “Estão prontos?”, e qual seria a resposta sem ser um sonoro sim??? Então a destruição se inicio com “Mouth for War” e o que se viu no Opinião nesse momento foi algo simplesmente brutal! Mal se ouvia a voz de Phil durante a música, tamanha a vontade e energia dispensados pelo público nesse momento. E aqui vai um relato pessoal, conheci o Pantera através dessa música. Como eu morava no interior, era difícil o acesso a maioria dos lançamentos e acabei tendo contato com o som da banda quando um amigo, que morava aqui em Porto Alegre, levou uma fita com o álbum “Vulgar Display of Power” (1992), gravada na saudosa Megaforce, loja fundamental para o metal no Rio Grande do Sul. Fiquei impressionado com os riffs daquele guitarrista que pouco depois o vi no videoclipe da mesma música. E, mais de 35 anos depois, a música continua causando aquele mesmo impacto inicial.
Na sequência, “Becoming”, de “Far Beyond Driven” (1994), deu sequência a aula de destruição que se via na pista do Opinião. Em seguida “This Love”, de “Vulgar Display of Power”, colocou todo mundo pra cantar e relembrar de seu videoclipe e exibido à exaustão na época na antiga MTV. E essa faixa em especial mostra que a voz de Phil está em dia, pois consegue dosar de forma bem consistente as passagens limpas com as mais rasgadas. “Hellbound”, faixa de abertura do último álbum de estúdio lançado pelo grupo, “Reinventing the Steel” de 2000, antecedeu o medley “Domination/Hollow”. E aqui, fica um dos pontos negativos do show. Como que temos apenas uma única faixa e ainda incompleta do sensacional álbum “Cowboys From Hell”???? Vai entender!
Phil agradece e junto com a banda se despede e deixa o palco. Claro que era conversa para boi dormir, pois o set que vinha sendo apresentado nesta turnê ainda tinha mais músicas a serem executadas. Aos gritos de “Illegals” a banda retorna e executa “Walk”, que mais uma vez teve uma participação mais do que expressiva por parte do público. Impossível ouvir a voz de Phil (novamente), mas não por problemas técnicos, e sim por que o público berrou cada parte da letra da música! “I’m Broken”, também de “Far Beyond Driven” veio antes do final destruidor com “New Level”. Um show para se guardar na memória para sempre.
Cabe aqui ressaltar, mais uma vez, o bom humor do vocalista durante todo o show, interagindo com o público sempre que possível. Ainda lembrou de forma simples e singela dos irmãos Abbot, lamentando pela ausência deles, mas dizendo que o legado do grupo ainda vive. E para terminar, entre tantas frases ditas por Phil, durante a apresentação uma em especial gerou risos no público. “life is short, have a lot of fun, and eat pussy! For a loooooong time!” Não necessita tradução, mas dá para discordar???? (risos)
Fica aqui novamente meu agradecimento ao Uillian Vargas pela parceria nas fotos, ao Metal na Lata por proporcionar mais uma cobertura de alto nível, e principalmente ao Pantera, por ter criado uma obra tão foda! E quanto a todas as polêmicas e bobagens envolvendo o vocalista, fica o recado: “Forgive, forget, forgive, be a man, not a child!”























