
Picture – “Wings” (2019)
Pure Steel Records | Classic Metal Records
#HeavyMetal
Para fãs de: Tygers Of Pan Tang, Lovell’s Blade, Steve Grimmett’s Grim Reaper
Nota: 8,0
Há que se observar toda a simbologia deste novo álbum do Picture. Na capa de “Wings”, a fênix representa renascimento, e o não faltam aqui são renascimentos. O primeiro e mais óbvio é o do próprio grupo, revigorado pela volta do vocalista Ronald Van Prooijen e do guitarrista Jan Bechtum, da formação clássica — trazendo também a volta do logotipo clássico, em substituição ao que vinha sendo usado desde “Eternal Dark” (1983) —, além da entrada de Appie de Gelder na segunda guitarra. O segundo é de caráter mais pessoal e refere-se à experiência de quase morte do baixista Rinus Vreugdenhil relatada no single e videoclipe “Stroke”: o cara não apenas sobreviveu a um derrame como deste se recuperou sem nenhuma sequela aparente e segue, lado a lado com o baterista Laurens Bakker, no comando do que é provavelmente o mais importante nome do heavy metal holandês.
Se “Stroke”, no tamanco de seus quase sete minutos com um viés levemente prog, consiste numa escolha incomum para música de trabalho, “Line of Fire”, também liberada em antecipação ao disco, é Picture puro, com direito a guitarras em harmonia e temática adaptável às mais diversas realidades. Aliás, um dos pontos altos do grupo é justamente abordar em suas letras a problemática do dia a dia do homem comum que encontra no heavy metal o bálsamo necessário para encarar engarrafamentos, filas de banco, abusos de poder e relacionamentos muitas vezes fadados ao fracasso.
Para quem não liga muito para conteúdo, a dobradinha “Is It Real” e “Blown Away”, ambas com menos de três minutos, garantem o headbanging sob risco de torcicolo e, possivelmente, figurarão no repertório da turnê que está por vir. Tem-se ainda “Little Annie”, cuja suave introdução destoa do fato de a letra falar sobre uma mulher de hábitos, digamos, questionáveis; “Empty Room” com seus vocais que parecem ter sido gravados, isso mesmo, num quarto vazio, em sinistra consonância com o desespero daquilo que é cantado; e a manada que debanda em “Still Standing”, com referência explícita ao hino “Heavy Metal Ears”: “We are here to stay” (“Estamos aqui para ficar”), crava Ronald com a confiança de quem foi bem-aceito em seu inesperado regresso.
A gota de óleo no tanque d’água fica por conta de “Never Enough”, que mais do que tomar emprestado, praticamente copia o refrão de “We’re An American Band” do Grand Funk. Nota 10 pela referência, mas -1 pela inadvertida cara-de-pau. A edição nacional chega na segunda quinzena de setembro via Classic Metal Records.
Marcelo Vieira





