Ponte Del Diavolo – “De Venom Natura” (2026)
Season of Mist
#BlackMetal #PostPunk #BlackenedPostPunk
Para fãs de: Darkthrone, Bauhaus, Chelsea Wolfe, The Cure
Texto por Lucas David
Nota: 8,0
Diretamente da Itália, o Ponte Del Diavolo se mostra um enigma até mesmo para os ouvintes veteranos de rock/metal. Sendo, em essência, uma banda de Black Metal, mas com uma inclinação a desacelerar o ritmo até um ponto mais arrastado e sombrio, eles lançaram seu primeiro álbum, Fire Blades From The Tomb, em 2024, e se estabeleceram como algo único.
Mantendo-se em um ponto nebuloso entre o metal extremo e o Pós-Punk gótico e cru, a banda se mostra resistente em seguir o óbvio, ampliando esse tom de rebeldia com De Venom Natura, que se constrói sobre uma abordagem mais mutável. A vocalista Erba del Diavolo se mostra a arma secreta da banda, com uma voz que transita entre o selvagem, melodias angelicais e spoken word tirado diretamente de filmes de terror antigos.
Essa mistura pode parecer estranha no início, mas o Ponte Del Diavolo alcança um novo patamar de obscuridade com faixas que vão da angústia à leveza de forma habilidosa, sem deixar o ouvinte perdido no meio do caminho. “Every Tongue Has Its Thorns” começa com um ataque abrasador de Black Metal, porém alterna entre vocais mais tradicionais do estilo e vocais limpos, mesmo quando a bateria de Segale Cornuta continua com o pé no acelerador.
“Lunga Vita alla Necrosi” começa com um ritmo Pós-Punk cru e visceral, mas traz elementos do Black Metal em riffs de guitarra marcantes e cortantes de Nerium, além de uma veia de rock alternativo. “Spirit, Blood, Poison, Ferment!” apresenta riffs de Death Metal brutos e incorpora instrumentos de sopro estridentes em seu ritmo pesado, gótico e denso, mostrando a facilidade com que a banda transita entre gêneros com uma fluidez natural, garantindo que nada soe previsível ou tedioso.
“Silence Walk With Me” tem um início com bastante groove, um ritmo hipnotizante e ótimas viradas na bateria, que abrem espaço para blast beats precisos que, aliados ao baixo de Khrura Abro e Kratom, formam uma base perfeita para vocais grandiosos, com energia projetada para penetrar na mente e permanecer ressoando por um bom tempo.
Em seu primeiro disco, o Ponte Del Diavolo mostrou que tinha capacidade para apresentar algo único e cativante; agora, De Venom Natura chega para dominar o campo com um som estiloso, sinistro e viciante, em uma mistura nada previsível e altamente recomendada.





