
Primitive Man – “Immersion” (2020)
Relapse Records
#SludgeMetal, #DoomMetal, #Noise
Para fãs de: EyeHateGod, Sunn O))), Shallow Grave
Nota: 9,0
Uma avalanche em câmera lenta de caos, podridão e peso, mas não peso calculado – articulado às frases e estruturas musicais e sim, peso irracional. Como se fosse uma massa negra disforme a soterrar incautos débeis à sua frente ou um leviatã a regurgitar pestes, corrupções e múltiplas formas de sofrimento. Isso é “Immersion” o novo álbum do Primitive Man.
Formado em Denver, Colorado no ano de 2012, o trio é conhecido por injetar doses cavalares de imundície e peso em suas músicas. Aliás, usar a palavra dose é uma liberdade poética, nada na música do trio segue métricas ou sistemas – a menos que distopia seja a lei, do contrário, tudo resume-se à críticas mordazes ao sistema, à humanidade (como a praga que é), aos corruptos e corruptíveis. Ódio puro banhado em ódio puro e santificado em ódio também puro.
Se os álbuns “Scorn”e “Caustic”, lançados em 2013 e 2017: e o ep “Home Is Where the Hatred Is” de 2015 serviram para solidificar e estabelecer a banda – seu novo chega para sacramentar a mesma como sendo uma das maiores expressões do Sludge Doom Metal da atualidade. Tudo que nele é exposto (com crueza), é visceral, angustiante, sórdido e abismal.
“Immersion” pode ser entendido como um capítulo à desgraça, dividido em seis versículos de desgosto e cólera em movimento a começar por “The Lifer” (um prato de angústia a quem tem fome de realidade).
As demais faixas não aliviam a tensão, menos ainda a sensação de claustrofobia e soterramento. Tudo é fétido, vulgar e fodido; tudo é sarjeta, sangue podre e vermes a sair de bueiros e corpos – Duas lembranças me vieram aos pensamentos durante as audições do disco: Rorschach e seus diários escatológicos (amo) e cenas da película Begotten. “Immersion” é quase a expressão sonora de ambos, caso não o seja.
“Menacing”, “Foul” e “Consumption” finalizam a obra, que, de arte (nos padrões aceitáveis, nada tem). São como pedaços arrancados da carne decomposta da humanidade e do sistema que ela criou – arrancados e expostos à seu próprio prazer pela desgraça e dor.
Sem mais –, quer ouvir o inferno e o sons das almas que lá habitam, então ouça esse disco. É sujo, cheira a lama, corrupção e violência; a corrompido caráter e desvio de moral, mas espere, a humanidade não tem justamente esses cheiros característicos?!?
“Immersion” nada mais é, que vômito negro sobre as engravatadas e carismáticas bandas que dizem fazer um som mais “descolado” e atual. Como sou chato e chato sempre serei, prefiro o pântano, o tradicional e primitivo ao medíocre e sem substância.
Fábio Miloch





