
Rob Halford – “Celestial” (2019)
Legacy Recordings
#HeavyMetal, #ChristmasMusic
Para fãs de: Judas Priest, Twisted Sister
Nota: 6,0
Todo álbum natalino é, por excelência, imperdível; ou seja, não posso deixar de perder. Por que com “Celestial” seria diferente? A resposta está no homem por trás do projeto: Rob Halford, o metal god, talvez a personalidade mais legal de seguir no Instagram — sigam também e comprovem: @robhalfordlegacy. Sem contar que, tendo tocado por anos numa banda tributo ao Judas Priest, é óbvio que eu não poderia jamais passar batido por um lançamento do vocalista. Ainda assim, foi preciso boa vontade.
Mais do que apenas isso, eu diria que para curtir este ou qualquer outro disco semelhante em temática, é necessário que você esteja no espírito, pois as músicas são batidas — quantos milhares de cantores já não gravaram “Deck the Halls”? —, os arranjos nem sempre fazem mágica ou estabelecem um diferencial e não é todo mundo que se empolga com as festas de fim de ano. Enquanto uns se emocionam com Simone saudando Hiroshima e Nagasaki em “Então é Natal”, outros abrem roda de pogo ao som dos Garotos Podres em “Papai Noel Filho da Puta”, a maior carta de repúdio ao bom velhinho da história da música brasileira.
Voltando a “Celestial”, o mundo precisa saber que Halford, a exemplo de sua entrega em “Firepower” (2018), o mais recente do Judas Priest, está cantando uma barbaridade. A produção, assinada por Mike Exeter — que também produziu “Redeemer of Souls” (2014), e o clássico “Cruelty and the Beast” (1998), do Cradle of Filth, entre outros bons discos de metal —, privilegia em dose igualitária os instrumentos tocados pelos músicos que Rob apresenta como “Family & Friends”. De fato, a banda que o acompanha traz alguns de seus parentes: seu irmão, Nigel, na bateria; seu sobrinho, Alex Hill — reconhece o sobrenome? —, no baixo e sua irmã, Sue, batendo o sino pequenino, sino de Belém.
Talvez os destaques no repertório, até por serem músicas inéditas, sejam o single “Donner and Blitzen” — uma homenagem às renas, muito além de Rudolph e seu nariz vermelho — e “Morning Star”, ambas escritas por Halford e pelo guitarrista Robert Jones, seu braço direito na empreitada. Comparado com o tenebroso álbum natalino lançado pelo Helix no ano passado (leia a resenha aqui no Metal Na Lata), “Celestial” até que diverte, mas não é o tipo de CD que eu colocaria para animar a ceia lá de casa. Um King Diamond, provavelmente, encaixaria muito melhor.
Marcelo Vieira





