
Samael – “Hegemony” (2017)
Napalm Records | Hellion Records Brazil
#BlackMetal, #SymphonicBalckMetal, #IndustrialBlackMetal
Para fãs de: Satyricon, Hellhammer, Celtic Frost, Septicflesh
Nota: 9,5
Décimo-primeiro álbum de estúdio desta formação suíça, que começou tocando aquele Black Metal cru e sujo típico das bandas que surgiram no final dos anos 80 e, posteriormente, ajudou a moldar o Symphonic Black Metal. Além disso, ao longo de seus diversos álbuns de estúdio, também ousou e desafiou a ortodoxia dos fãs conservadores do Black Metal ao introduzir baterias programadas e outros elementos de Industrial às suas composições.
A verdade é que se trata de uma banda de grande envergadura musical, contando com músicos experientes e talentosos, capitaneados pelos irmãos Michael e Alexandre Locher, desde o seu surgimento no longínquo ano de 1987, demonstrando sempre vontade de seguir em frente, aproveitando o encerramento da terceira década de existência para, de certa forma, revisitar seu passado de glórias, atualizando-o com os aprendizados obtidos ao longo da jornada.
Lançado ano passado, somente agora este trabalho chega a nossas mãos e a alegria em resenhar uma obra de arte como esta não poderia ser maior! A composição e o cuidado com os arranjos são impecáveis ao longo do trabalho. Em momento algum dá para sentir que houve aquela “preguiça básica” neste quesito, típica de banda “das antiga” que, para cumprir contrato e agendar turnê, deixa muitas vezes os acabamentos no esquema “meia-boca”.
Aqui a coisa é levada a sério, no entanto sem exageros, demonstrando que anos e anos nos estúdios da vida ajudaram os caras a entregar às músicas aquilo de que precisam para estarem sempre acima da média, em termos de qualidade. As 3 primeiras musicas deste álbum são enraizadas no Symphonic Black Metal, com todas as passagens soturnas e aclimatações necessárias para dar às músicas aquele ar majestoso e épico (“Hegemony”, “Samael” e “Angel Of Wrath – sim, nesta última, Dimmu Borgir de “ Enthrone Darkness Triumphant” vem à mente).
Quando parece que o álbum vai cair na mesmice, surge “Rite Of Renewall” – que arrisca um pouco mais na garimpagem da história musical da banda e chega até à sua primeira fase, relendo seu Black Sinfônico com um peso e agressividade há tempos não ouvidos em seus trabalhos.
“Planet Red” é um dos destaques do álbum, um exemplo de composição perfeita e ambiência sombria. Em “Black Supremacy” o álbum chega a seu clímax, com direito até a blast beats em algumas passagens, além de retomar aquele clima de missa negra que tanto agrada aos apreciadores de BM.
Em “Murder Of Suicide”, os elementos Industriais ganham mais evidência, indo desembocar em um belo Black Metal Industrial na próxima faixa, “This World”, que é meio o que seria uma música do Rammstein, caso os alemães tivessem mais substrato soturno de raiz.
“Against All Enemies”, traz um clima gótico e obscuro, sustentados em andamentos marciais que dão o tom de hino de guerra à música, intensificado com os contornos cinematográficos providenciados pela orquestração de bom gosto; e, de certa forma, contrastando com as levadas mais acessíveis de “Land Of The Living”, beirando o Gothic Metal com aqueles vocais industriais que nos acostumamos a ouvir em Kovenant e Deathstars, seguida na mesma linha por “Dictate Of Transparency”.
E como se o mundo realmente precisasse disto, temos a milionésima cover de “Helter Skelter” entregue pelo Samael em sua versão Black Metal Industrial definitiva – ficou, inclusive, melhor do que a versão que Marilyn Manson e Rob Zombie gravaram juntos recentemente.
Sempre mantendo o alto nível das composições – vale dizer que este álbum, tão rico em cultura Black Metal, certamente tem o poder de reconquistar fãs mais ortodoxos que os abandonaram pelo caminho – encerram esta obra prima com “Storm Of Fire”, mais uma vez em clima levemente orquestrado e cinematográfico para dar um ar grandiloquente ao ‘grand finale’ deste que é um dos melhores trabalhos que o Samael já lançou.
Wallace Magri





