
Santana – “Santana III” (1971)
O mexicano Carlos Santana emergiu como importante músico local de Haight-Ashbury, na São Francisco tomada pelo flower power, tendo participado do seminal “The Live Adventures of Mike Bloomfield and Al Kooper” (1969), e, então, montado sua própria banda com Gregg Rolie (vocais e teclados), David Brown (baixo), Mike Shrieve (bateria), Mike Carabello (conga) e José “Chepito” Areas (percussão). A apresentação em Woodstock ajudou o álbum de estreia (“Santana”, 1969) a vender um milhão de cópias somente nos Estados Unidos. “Oye Como Va”, escrita pela lenda da música latina Tito Puente, fez com que o disco seguinte, “Abraxas” (1970), igualasse o número.
No início de 1971, o Santana tinha como desafio encontrar novas melodias e novas ideias que se encaixassem ao seu som. Para tal, abriu-se à possibilidade de tocar e gravar com outros músicos. Um guitarrista de 17 anos chamado Neal Schon e o percussionista Coke Escovedo foram trazidos para a banda, mas não parou por aí: “Everybody’s Everything”, primeiro single do vindouro “Santana III”, conta com sopros da Tower of Power; Rico Reyes canta e Mario Ochoa toca piano em “Guajira”; e Luis Gasca toca trompete em “Para Los Rumberos”, outro cover de Puente. Enquanto o segundo single “No One to Depend On” consiste numa adaptação de “Spanish Grease”, de Willie Bobo, “Jungle Strut” é uma versão da homônima do saxofonista Gene Ammons. E se a enérgica “Toussaint L’Overture” faz um trocadilho com o nome do líder da Revolução Haitiana, “Batuka” mostra o conjunto rasgando os protocolos e reivindicando a autoria de uma peça originalmente pensada para orquestra de programa de TV.
Ao término das gravações, as diferenças entre o background musical dos integrantes — fator que tanto ajudou no desenvolvimento da sonoridade única da banda — estavam fazendo com que cada um crescesse em uma direção própria e distinta. Buscando um som de rock que fosse mais a sua cara, Gregg e Neal montariam o Journey, e todos os demais participariam do disco seguinte, “Caravanserai” (1972), meio que no piloto automático. Quando as diferenças chegaram às prioridades, com o estilo de vida rock ‘n’ roll — mulheres, carros e cocaína — assumindo o primeiro plano, o Santana, nas palavras de seu fundador, “sofreu uma overdose de si mesmo”.
“Santana III” seria o último álbum do Santana a alcançar o topo das paradas até “Supernatural” repetir o feito 28 anos mais tarde impulsionado pelo sucesso de “Smooth”, canção em parceria com Rob Thomas, vocalista do Matchbox Twenty, que, curiosamente, não era nem nascido naquele enfumaçado 1971.
Marcelo Vieira





