
Sebum Excess Production – “Public Cystical Extraction Draining” (2019)
Cemitério Records | Rotten Foetus Records
#Goregrind, #Grindcore, #DeathMetalSplatter, #GoreMetal
Para fãs de: Last Days of Humanity, Dead Infection, Carcass (antigo), Stoma
Nota: 9,0
Sempre haverá um cadáver em adiantado estado de decomposição, um órgão extirpado por algum instrumento rudimentar, alguma poça de fluídos corporais ou alguma doença incurável com os mais dolorosos e nefastos sintomas para servir de conceito. Partindo desse pressuposto, podemos observar que existem bandas que se alimentam do controverso, que encontram no que há de mais aviltante, grotesco, pútrido e degradante o substrato necessário para criar sua arte.
A dupla de desajustados que compõe o Sebum Excess Production (Glésio Torres – bateria e vocal e Thales Gory – guitarra e vocal), sabendo disso como ninguém, após lançarem uma infinidade de Splits e EPs (talvez seja uma das bandas mais prolíficas neste segmento), trazem em “Public Cystical Extraction Draining” seu primeiro álbum completo de fato.
Chama a atenção logo de imediato o projeto gráfico. Claro, é um negócio chocante e repulsivo, mas muito bem elaborado, com slipcase em alto-relevo e tudo mais. Trabalho profissional, que os diferencia sobremaneira das demais formações do gênero, que geralmente pecam nesse quesito. Quanto à parte sonora, pense numa banda que está pouco se importando com o tanto de reações gastroentéricas que ira causar, ou com o tanto de asco que irá proporcionar.
Sua música é imunda, grosseira, bizarra e pesadíssima, ornamentada por vocais submersos em efeitos (sobretudo os vocais guturais de Thales), que o tornam ainda mais selvagens e ininteligíveis. Definitivamente, esses sujeitos sabem fazer a “mágica” acontecer. Contudo, apesar do estilo abordado ser algo totalmente às margens do conceito de melodia e técnica, primando basicamente pela velocidade frenética e caótica num ritmo desconcertante, o Sebum Excess Production se preocupou em lançar um trabalho agraciado com uma ótima produção (claro, para os padrões do estilo), tornando todo aquele aberrante apocalipse sonoro bem “palatável”, por assim dizer.
E a escatologia imensurável é o destaque de “Public Cystical Extraction Draining”, onde suas 44 (!!!!) diminutas composições versam sobre um cotidiano no mínimo perturbador. Onde mais poderíamos encontrar composições tão finas e requintadas como “Sebaceous Gland Hyperplasia” ou “An Inflammatory Process That Often Begins as a Suppurative Folliculitis”? É a brutalidade gore galgando um novo patamar, pode acreditar. Se você é fã de Carcass dos primórdios, Dead Infection, entre outras formações do gênero, pode confiar cegamente no Sebum Excess Production.
Ricardo L. Costa (Colaborador)





