
Banda principal: Slayer
Banda de abertura: Claustrofobia
Local: Espaço das Américas, São Paulo/SP
Data: 02/10/2019
Produção: Move Concerts
Assessoria de Imprensa: The Ultimate Music
Texto e vídeos por Johnny Z
Fotos por Stephan Solon/Move Concerts
É meus queridos, enfim o dia chegou. Quando vi aquela fatídica postagem no facebook oficial do Slayer anunciando que essa turnê seria sua última e que após ela tudo se acabaria, entrei em parafuso. Como conseguiria viver sem “meu Slayer”? Muitos se perguntam isso dia após dia, e agora, depois do show de ontem, mais ainda. Ao anunciarem como uma das atrações do Palco Sunset, no Rock In Rio, dia 4 de outubro, na hora eu disse: “tenho que ir a qualquer custo”. Alguns problemas pessoais me fizeram não estar presente lá, mas algum tempo depois do anúncio confirmaram um show em São Paulo, no Espaço das Américas, e daí em diante foi um misto de sentimentos que iam da alegria, ansiedade, amargura e tristeza tudo em questão se segundos, pois cresci ouvindo esses caras e (ainda) não sei se processarei essa “perda” com o tempo. Enfim, vamos ao espetáculo (e que espetáculo!).
Bem antes da abertura dos portões, a quantidade de fãs fora da casa era assustadora e já previ que seria algo diferenciado. Tinha gente praticamente acampada na porta desde a manhã da quarta-feira, dia do show, e mesmo sendo dia útil ninguém realmente se importou com nada. Alguns desencontros com os seguranças e pessoal responsável pela entrada dos fãs e imprensa gerou um certo desconforto para quem iria fazer a cobertura do evento. Ninguém sabia onde a imprensa deveria entrar, num tal de “vai para lá”, “vai por ali” e até mesmo “não sei ao certo onde será a entrada” angustiantes. O despreparo e a falta de comunicação deveria ter sido evitada com uma simples ordem/conversa. Depois de uns 20 minutos, enfim, entramos por onde deveria ser desde o começo. Ao adentrar no Espaço das Américas, a pista foi se enchendo em questão de minutos e logo no show de abertura, mesmo com o parco ar condicionado do local (creio que não suportou a quantidade de pessoas na noite), o local parecia uma estufa, mas dava para aguentar com algumas pequenas rajadas de ar frio que passavam na velocidade da luz pelas nossas nucas.
Gostaria de fazer uma crítica para a organização, deveria ter um espaço para a imprensa poder trabalhar de forma satisfatória, mas isso não ocorre há um bom tempo. Algumas produtoras cedem locais como camarote para a imprensa ter um mínimo de conforto, o que acho válido, mas ontem todo mundo se misturou num verdadeiro pandemônio. Foi ruim? Pelo lado profissional sim, mas pelo lado fã, foi sensacional, então levem essa minha crítica como neutra dessa vez (risos).
Depois de muitos pedidos e abaixo-assinado de seus fãs, os thrashers paulistas do Claustrofobia se encarregaram para abrir o “matadouro”. Sim, você leu corretamente e entenderá o motivo mais adiante. Pontualmente, as 20h45, o agora trio do Claustrofobia entrou no palco com sua introdução satírica de samba cheio de samplers. A guitarra de Marcus D’Angelo (vocal/guitarra) estava soando tão brutal que a cada palhetada era como uma martelada no nosso crânio. Som simplesmente impecável, bruto e massacrante por todo o set de aproximadamente 45 minutos. Todos instrumentos nítidos e na equalização perfeita. Se você pensa que só os riffs de Marcus já seriam suficientes para achatar seus ossos, esqueça, pois a bateria do monstro Caio D’Angelo triturava o restante e o baixo do recém chegado Rafael Yamada, que também manda muito bem nos backing vocals, “castigava” ainda mais os presentes. Falando em presentes, pelo que constatei a lotação nessa hora era praticamente total! Tudo bem que os caras são ícones do Thrash Metal brasileiro e merecem o público que tem, mas nunca vi uma banda de abertura com casa tão lotada! Voltando a apresentação, foi uma avalanche de brutalidade mais centrada nas faixas cantadas em português da banda, com exceção das cacetadas “Swamp Loco” e a já clássica e onipresente “Thrasher”. Na primeira chance que Marcus teve de falar com o público, já pediu que abrissem rodas, o que o público vibrou e prontamente atendeu, sabendo que a produção tinha proibido o crowd surfing e o mosh, algo completamente impossível num show desse porte, especificamente com o nome Slayer envolvido. Pô produção, se liga (risos).
Já assisti a alguns shows da banda quando ainda eram um quarteto, mas agora foi a primeira vez que os vi como trio e posso afirmar categoricamente que estão até mais brutais e mais loucos que antes. A troca de energia da banda com o público foi algo insano. Um dos shows mais violentos que vi de uma banda nacional esse ano. O Claustrofobia é aquela banda que você bate e no peito e fala com orgulho: “aqui é Brasil, porra!” Parabéns para os caras, simplesmente arrebentaram. O caminho para inferno estava pavimentado para o que vinha a seguir!
Setlist Claustrofobia:
Intro
Swamp Loco
Bastardos do Brasil
Thrasher
Vira Lata
Pino da Granada
Metal Maloka
Peste
Depois de uma espera de aproximadamente 35 minutos, as luzes se apagam e a introdução demoníaca e sombria de “Delusions Of Saviour” era tocada no playback. As luzes vermelhas pareciam sangue escorrendo das cortinhas, cruzes rodavam com o compasso da música até pararem de ponta cabeça para que o logotipo do Slayer surgisse estampado na cortina. Dali em diante se o inferno é quente e destruidor como presumo que seja, é para lá que fomos. Sem exageros, mas eu nunca, NUNCA, vi em mais três décadas e trilhões de shows assistidos um show tão lotado, tão quente, tão brutal e tão violento em toda a minha vida. Esse foi o típico show que levarei comigo para o túmulo como o “show da vida”, se é que me entendem. Nos primeiros acordes de “Repentless” a “coitada” da proibição de moshs foi para as cucuias (ainda bem, de novo) e ficar de pé num quadrado de 30 centímetros quadrados era tarefa árdua. Eu praticamente “conheci” todos os cantos do Espaço das Américas nas três primeiras músicas. Vi desde Gary Holt (guitarra), ao lado esquerdo do público, como Kerry King (guitarra), ao lado direito em questão de segundos, passando diversas vezes por Tom Araya (vocal/baixo). Acho que mais um pouco eu veria Paul Bostaph (bateria). Era impossível ficar parado num mesmo lugar por mais de 1 segundo pois as rodas te levavam para cada vez mais fundo dentro do caos. E um detalhe, por TODA a apresentação, sem pausas!
Com a lotação máxima, em torno de 8.200 pessoas literalmente se matando na pista do começo ao fim da casa, era difícil até de respirarmos. Sem brincadeira, deu para se emagrecer uns 5kg brincando naquela estufa (risos).
Novamente com um som impecável, super equalizado onde dava para se ouvir tudo com perfeição e sem embolamento, um jogo de luzes de deixar o cramulhão orgulhoso, o que esses americanos fizeram conosco nessa noite de quarta-feira foi “criminoso” e “desumano”. Eu duvido que alguém que saiu de lá hoje esteja inteiro. É dor para todo o lado do corpo, hematomas, dor de garganta, ouvido zumbindo, dor nas costas, bolhas, calos, dor nas pernas, mas o melhor de tudo, com sorriso de orelha a orelha.
Ouvir pérolas não muito executadas atualmente como, por exemplo, “Evil Has No Boundaries”, “Gemini”, “Born Of Fire”, “Temptation”, “Payback” e clássicos atemporais da destruição thrash metal como, “Postmortem”, “War Ensemble”, “Mandatory Suicide”, “Chemical Warfare”, “Seasons In The Abyss”, “Hell Awaits” (um das minhas preferidas e daquelas que faz o coração sangrar!), “South Of Heaven” e o final devastador com “Raining Blood”, “Black Magic”, “Dead Skin Mask” e “Angel Of Death”, foi de tirar o fôlego de quarentões, cinquentões, jovens e até algumas crianças ali presentes fazendo história.
Falar dos músicos no palco é desnecessário, pois todos sabem como são e se comportam, mas ver até Kerry King dando sorrisos no palco já basta para dizer que algo foi diferente dessa noite (risos).
Ao final de “Angel Of Death”, os músicos se despedem e Tom Araya, o que vem fazendo em todo show nessa última turnê, fica olhando para a plateia com aquele olha de dever cumprido, de orgulho e de amor a tudo que fez e império que conquistou. Agora, diferente dele, os nossos olhos se enchem de lágrimas por saber que a saudade de ser “espancado” será a nossa companheira pelo resto da vida. Será?
Volto a dizer, acho que não conseguirei processar essa “saída de cena”. Está bem difícil para mim esse “luto”. Obrigado Move Concerts, The Ultimate Music pelo credenciamento e parceira, e especialmente aos “ministros do caos” Tom, Kerry, Paul, Gary, Dave e o saudoso Jeff pela “boa educação” dada a esse ser com sucesso. Só tenho muita pena dessa nova geração.
Setlist Slayer:
Delusions Of Saviour (Intro)
Repentless
Evil Has No Boundaries
World Painted Blood
Postmortem
Hate Worldwide
War Ensemble
Gemini
Disciple
Mandatory Suicide
Chemical Warfare
Payback
Temptation
Born Of Fire
Seasons In The Abyss
Hell Awaits
South Of Heaven
Raining Blood
Black Magic
Dead Skin Mask
Angel Of Death






























