
Sorcerer – “Lamenting Of The Innocent” (2020)
Metal Blade Records
#EpicDoomMetal, #HeavyMetal, #HardRock
Para fãs de: Candlemass, Black Sabbath, Below , Solitude Aeturnus, Isole , While Heaven Wept
Nota: 10
Apenas peso não torna um disco memorável, boas e certeiras melodias, tão pouco, é preciso inspiração e foco no trabalho como um todo, clássicos são assim chamados por serem pensados e elaborados com a visão voltada a todos os detalhes. Assim sendo, um disco com relevos pode até ser interessante e prender a atenção por um tempo, mas perdurar, não. Na melhor das hipóteses, seus melhores momentos serão relegados a algum “best of” no futuro.
O Sorcerer é um dos grandes nomes do Doom Metal sueco, uma das bandas mais respeitadas do cenário, ainda que permaneça sob o status de “cult”. De 1988 até agora, foram lançadas demos, EPs, compilações e três discos, sendo “Lamenting Of The Innocent” o seu mais novo trabalho, sucedendo o poderoso “The Crowning Of The Fire King” de 2017.
Uma produção cristalina, mas não artificial, moderna, mas sem furtar a naturalidade de seu conteúdo, uma arte das mais belas que já vi num disco e 10 faixas que se equilibram entre o Epic Doom Metal, Power, o Hard Rock melódico e claro, o Heavy Metal, sentido na na força triunfal que algumas músicas exibem – a exemplos de “The Hammer Of Witches” e “Institoris”.
“Lamenting Of The Innocent” (a faixa título) e “Where Spirits Die” – são ambientes dentro do disco onde a cadência e o peso imperam, suas melodias guiam-se pelo emocional e sofisticado, quase como baladas, e seriam, caso não fossem impregnadas pelo “feeling Doom”.
O abrigo da simplicidade se vê sob formas intimistas e suaves em “Deliverance” –, uma pintura campestre com violões, cordas, algumas harmonias de guitarra e a voz lamentada de Johan Langqvist – o vocalista do Candlemass no fundamental “Epicus Doomicus Metallicus” e na ressurreição, “The Door To Doom”. “Age Of The Damned” e “Condemned” são irmãs em estrutura e potencial a clássicas, monumentais nos riffs, solos e refrão, sendo o início dessa última, algo totalmente surreal, Doom Metal em caráter e razão.
Duas milhas para encerramento da jornada – “Dance With The Devil”, mais Heavy e centrada nas guitarras, com trechos narrados e algo de sacro, lembrando os poloneses do Evangelist e Monasterium. O fim como deve ser, chega através do solo de abertura de “Path To Perdition”, um misto de Back Sabbath, fase com o eterno Dio e o ja citado Candlemass; quase que uma representação da grandeza dramática e épica de “At The Gallows End” e “The Edge Of Heaven”.
“Lamenting Of The Innocent” é um álbum único, bem dosado e com influências equilibradas, impecável na duração das faixas, entre o médio e o aceitável, sem exageros. Instrumental no ponto – bateria explorada e desenvolvida com precisão, vocais e solos dotados de expressão melódica condizente. É Doom e isso já deve bastar! Longe de ser um álbum burocrático, por demanda e desprovido de paixão, mas sim, um disco necessário, os fãs da banda e do gênero agradecem, e eu estou entre eles!
Fábio Miloch





