
System Of A Down – “Toxicity” (2001)
American Recordings
#AlternativeMetal, #HeavyMetal, #ThrashMetal #NuMetal
Para fãs de: Korn, Slipknot, Mudvayne
Nota: 9,0
O final dos anos 90 e começo dos anos 2000 foi um período de mudanças no rock em geral. Muitas bandas haviam sumido com as “trocas” de estilo com o surgimento do Glam, a dominação do Grunge e as bandas do New Metal (reconhecido como Nu Metal mais tarde) como Slipknot, Korn, Coal Chamber e Limp Bizkit, citando algumas. Entre essas, que fizeram muito sucesso com os primeiros lançamentos, figura uma das mais reconhecidas e importantes para todo o gênero, o System of a Down, que logo em seu primeiro disco autointitulado já ganhou um destaque e pode assinar com uma boa gravadora.
O disco de estreia, lançado em 1998, trazia o que pode ser vagamente descrito como uma mistura entre o Punk do Dead Kennedys e o Thrash Metal do Slayer, com os vocais fortes de Serj Tankian e as guitarras de Daron Malakian que reúne fragmentos dos estilos já citados. Uma ótima forma de mostrar o que a banda sabia fazer e como seriam seus próximos lançamentos.
Quando a banda lançou seu segundo álbum, Toxicity, 3 anos depois, foi surpreendente a evolução que aconteceu com o grupo. O disco ainda continha as letras políticas, contra o sistema prisional, o capitalismo, a poluição e as drogas, mas o fizeram de uma maneira mais consciente e musicalmente realizada, sem abrir mão do peso ou a intensidade que os fizeram conhecidos, mesmo agora, 20 anos após o lançamento. O álbum foi produzido por Rick Rubin (Slayer, Beastie Boys, Run DMC) que aliado a Daron (responsável por toda a composição instrumental) e Serj (que escreveu todas as letras, muitas delas com o guitarrista) conseguiram criar riffs pesados, criativos e contagiantes, com uma cozinha incrivelmente concisa com Shavo Odadjian (baixo e backing vocals) e John Dolmayan (bateria) e os vocais que variam entre o melódico, o gutural, o rasgado e o sussurrado. Eis aí a formula para o sucesso.
É claro que quando falamos em SOAD imediatamente pensamos em “”Chop Suey”, um dos maiores hits dos anos 2000 que embalava vários programas de clipes no mundo todo. Ela foi responsável por colocar o álbum em primeiro lugar nas paradas de álbuns da Billboard, com 220.000 cópias vendidas em sua primeira semana de lançamento. Ela começa com uma passagem de violão e bateria tribal que logo explode é uma batida pesada de fundo, com algumas letras parecendo um tanto desconectas até o clímax com Tankian cantando sobre “self-righteous suicide when angels deserve to die”.
Mas o álbum não fica limitado apenas a esse single, já que desde a faixa de abertura, “Prison Song”, com suas mudanças de ritmo e o refrão soando brutal, passando pela pancadaria de “Deer Dance” e “Jet Pilot”, com as melodias diferentes de “Forest” (uma das favoritas desse que vos escreve) até a estranha letra de “ATWA” usando como inspiração o famoso Charles Manson, temos um caldeirão de influencias que encaixaram perfeitamente no som realizado pela banda.
O destaque comercial de Toxicity é “Aerials”, uma música melódica e imaculadamente trabalhada sobre o sentimento de estar perdido entre a multidão de pessoas em uma sociedade materialista. O videoclipe, assim como de “Chop Suey” foi exibido inúmeras vezes durante o auge do movimento até os dias de hoje.
O leitor até deve até pensar que as faixas comentadas são as melhores, e que as demais foram deixadas para trás, mas pelo contrário, o álbum todo é incrível e vale a audição mais de uma vez, repetidamente, vide a nota alta que ele alcançou na época do lançamento. Segundo o site Loudwire até o momento, o disco alcançou a platina tripla nos EUA e vendeu mais de 12 milhões de cópias em todo o mundo. Ele continua a ser o álbum mais popular do System of a Down e um dos lançamentos de metal mais excêntrico e original de todos os tempos.
Curiosidade: Um dia antes do lançamento do disco, em 03 de setembro, a banda organizou um show gratuito para celebrar a ocasião. Acontece que a organização do evento esperava aproximadamente 3.500 pessoas em um estacionamento, porem apareceram entre 7 e 10 mil pessoas, o que acabou em confusão. A polícia cancelou o evento sem mesmo deixar a banda anunciar aos fãs, e logo após o banner ter sido removido do palco as pessoas se revoltaram, destruindo equipamentos, vitrines de lojas e carros em uma área de sete quarteirões ao redor do local. Seis fãs foram presos e vários policiais e membros da multidão foram tratados por ferimentos leves.
Lucas David





