Testament: “Para Bellum”, múltiplas faces de uma banda única

TEstament - Divulgação - Metal Archives
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Testament: “Para Bellum”, múltiplas faces de uma banda única

“Para Bellum”, no Brasil, distribuído pela SHINIGAMI RECORDS

Desde que a Nuclear Blast anunciou o lançamento de “Para Bellum”, décimo quarto full lenght da carreira do Testament, a ansiedade se tornou colossal por saber como tal registro soaria. Tão logo os singles foram saindo, “Infanticide AI” e “Shadown People”, a curiosidade contaminava a atmosfera ainda mais.

Então, em 10 de outubro de 2025, enfim, “Para Bellum” se revela oficialmente ao mundo, respondendo a todos os questionamentos que até então pairavam sobre a sua chegada.

Testament e mais um Dream Team do Thrash Metal

Da mesmo modo que fez Gene Hoglan enquanto membro do line-up, o jovem Chris Dovas fez a bateria do Testament soar magnífica. Além disso, Dovas acrescentou elementos extremos ao quinteto natural de Oakland/CA.

Quanto à dupla de guitarristas, Eric Peterson trouxe os seus riffs poderosos às novas composições e Alex Skolnick executou os seus solos que são, ao mesmo tempo, bastante técnicos e recheados de feeling.

Steve DiGiorgio, mais uma vez, fez jus àqueles que o consideram o contrabaixista mais virtuoso e criativo de todos os gêneros de Metal.

Chuck Billy é um caso à parte, pois os anos trouxeram mais diversidade de recursos a sua voz, o tornando um vocalista melhor a cada novo lançamento.

As múltiplas faces de uma mesma banda

Faz algum tempo, desde quando Andy Sneap produzira o álbum “Dark Roots of Earth” (2012), um dos maiores clássicos pós renascimento do Thrash Metal, há quem acuse o Testament de repetir a mesma fórmula em “Brotherhood of the Snake” (2016) e “Titans of Creation” (2020).

Ainda que, indiscutivelmente, haja faixas pegajosas em todos esses três álbuns, é certo que a banda buscou manter aquela mesma produção de Sneap, a qual rendera bons frutos. Nada mais natural, afinal de contas, quem não busca agradar os próprios fãs está decretando o seu próprio fim.

Por outro lado, talvez a própria banda estivesse sentindo um certo desgaste em relação aos seus mais recentes lançamentos, embora não houvesse graves reclamações a respeito dos mesmos. Quando os membros mais veteranos começaram a ceder entrevistas sobre o novo disco, ficava claro que ele soaria diferente. Mas qual seria essa diferença?

Além das novidades, várias fases da discografia do Testament serviram de referência para “Para Bellum”

Em seu novo trabalho, Testament não seguiu uma fórmula específica de compor, mas utilizou referências de várias eras de sua discografia.

Se pensarmos na fase mais extrema, em álbuns como “Demonic” e “The Gathering”, devemos destacar quatro faixas, “For the Love of Pain”, “High Noon”, “Witch Hunt”, assim como a faíxa título. Aliás, “For the Love of Pain”, faixa de abertura de “Para Bellum”, soa tão extrema, flertando com Blackened Death, que sequer parece que estamos ouvindo Testament.

“Meant to Be” é linda, porém haverá quem diga que disco de Thrash não pode ter balada alguma. Quem o diz, na verdade, desconhece a história do Testament, já que baladas como “The Legacy”, “The Ballad”, “Cold Embrace” e “City of Angels”, entre outras, sempre fizeram parte do repertório da banda.

A canção “Infanticide A.I.”, primeiro single do novo trabalho, certamente a mais grudento do registro, lembra o que o Testament esteve fazendo em seus álbuns anteries com uma pitada a mais de peso. “Shadow People”, segundo single, é mais cadenciada, lembrando a transição que sua sonoridade fez entre as décadas de 80 e 90, obviamente com uma produção mais moderna. Talvez, essa música poderia estar inclusa no “Souls Of Black”, lançado em 1990.

A trinca da discórdia

“Nature of the Beast”, “Room 117” e “Havana Syndrome”, juntas, formam aquela trinca das mais cadenciadas, as quais passeiam entre o Heavy e o Thrash Metal. Haverá quem proteste por conta da “queda de ritmo” de “Para Bellum”, contudo, esse tipo de composição sempre esteve presente nos trabalhos do Testament. Em contrapartida, haverá quem aprecie essas três citadas e torça o nariz para a parte mais extrema da obra. Ou seja, teremos todos os tipos de diferentes opiniões e nada mais normal que isso ocorra.

Resultado final

Há algum tempo, Testament vivia em uma zona de confortou, mas resolveu abandoná-la em “Para Bellum”, como já fizera em muitas algumas vezes sua carreira.

Talvez provavelmente o resulto final dessa decisão agrade uma parte dos fãs e desagrade outra. Em suma, faço minhas as palavras que meu amigo Johnny Z escreveu na resenha do álbum em questão:

“calma, queridos leitores, está tudo no lugar, ok? Pesadíssimo, rifferama, tudo deslumbrante, mas tem algo ‘bonitinho’ demais que bate nos meus ouvidos (risos). É ruim, jamais, mas é diferente. Portanto, escutem-no várias vezes para absorver todas as camadas, climas, etc.”

Esse é o espírito de “Para Bellum” e do Testament. Espero que agrade vocês tanto quanto agradou a mim. Boa viagem. “Para Bellum”, no Brasil, distribuído pela SHINIGAMI RECORDS:

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