
Tygers Of Pan Tang – “Ambush” (2012) (Relançamento 2020)
Mighty Music | Hellion Records Brazil
#HeavyMetal, #NWOBHM
Para fãs de: Iron Maiden, Saxon, Diamond Head
Nota: 8,0
O ano não começou nem tranquilo nem favorável para o Tygers of Pan Tang. Apesar de ter lançado, em 20 de novembro de 2019, o impecável “Ritual” (leia a resenha aqui), o grupo entrou em 2020 dizendo adeus ao principal responsável pela atualização de seu som, o prodígio da guitarra Micky Crystal. Além da queda, o coice (a níveis mundiais): sem poderem excursionar ou se reunir para compor músicas novas – e ainda sem um substituto para Crystal, não obstante testes já estarem em andamento –, Jacopo Meille (vocais), Robb Weir (guitarra), Gav Gray (baixo) e Craig Ellis (bateria) resolveram apostar num relançamento demasiado cedo de “Ambush”, seu disco de 2012, com nova remasterização e quatro faixas bônus.
Sob muitos aspectos – obviamente deixando de lado a concorrência desleal que seria compará-lo aos clássicos “Spellbound” e “Crazy Nights” (ambos de 1981) –, “Ambush” é de suma importância na discografia do Tygers. Primeiro, o disco foi o último com o guitarrista Dean Robertson, que pularia fora no ano seguinte depois de mais de uma década de bons serviços prestados. Foi também o derradeiro da banda com produção de Chris Tsangarides (1956-2018), uma relação profissional que data dos primórdios da New Wave of British Heavy Metal. Por outro lado, “Ambush” marca a estreia de Gray e, do ponto de vista do crítico de arte que habita em mim, a retomada do bom gosto na escolha da capa – mantido no álbum homônimo de 2016 (leia a resenha aqui), até hoje a melhor do grupo.
Musicalmente, “Ambush” exibe os primeiros sinais da inquietação que levaria o Tygers a buscar o meio termo entre o velho e o novo nos trabalhos seguintes. Dito isso, parte do repertório refestela-se na eficácia comprovada e, por vezes e inevitavelmente, datada dos clichês da NWOBHM, de riffs primários – se isso fosse ruim, o AC/DC não teria tido a carreira brilhante que teve – e solos construídos sobre a amiga pentatônica. No quesito letras, a maturidade está muito mais no conteúdo do que na forma, como quando grandes obras da literatura mundial são resumidas e adaptadas para vestibulandos ou apressadinhos.
Mas sem dúvida o maior atrativo para aqueles que não compraram “Ambush” oito anos atrás seja a inclusão da inédita “Cruel Hands of Time”, que, mesmo sob a condição de sobra de estúdio, ofusca em qualidade pelo menos metade dos sons que compõem a tracklist original. Veja abaixo o clipe, dirigido por Ellis, tente argumentar contra este que vos fala, e falhe miseravelmente: sem saber que era possível, o Tygers lançou uma das músicas mais empolgantes do metal em 2020. Nunca que em 2012, quando a limaram do disco, eles poderiam imaginar isso.
Marcelo Vieira





