
Tyketto – “Live in Milan” (2017)
Frontiers Music
#HardRock, #MelodicRock
Para fãs de: Danger Danger, Hardline, Trixter
Nota: 9,5
O Tyketto não é mais aquele que o público brasileiro pôde ver de perto em 2008: Brooke St. James e Jimi Kennedy, guitarrista e baixista da formação original, deram lugar a Chris Green e Chris Childs (Thunder) enquanto o vocalista “muito cabelo, muito violão” Danny Vaughn e o batera Michael Clayton Arbeeny seguem como os bastiões da parada. O som também sofreu alterações: a adição do tecladista Ged Rylands (Ten) não apenas transformou o quarteto num quinteto como também ajudou a nivelar o material segundo o padrão do Melodic Rock europeu, quase que ditado pela Frontiers, gravadora responsável pelos dois últimos álbuns de estúdio da banda — “Dig In Deep” (2012) e “Reach” (2016) — e pelo primeiro ao vivo de sua carreira.
Com lançamento previsto em todos os formatos possíveis, “Live in Milan” registra a apresentação impecável do Tyketto no Frontiers Rock Festival IV realizado em abril passado, quando tocaram o injustiçado “Don’t Come Easy” (1991) na íntegra pela, de acordo com Danny, última vez. Mas, antes que você aperte o play, esperando que a banda quebre tudo com “Forever Young”, saiba que aqui o repertório foi tocado de trás pra frente; ou seja, é “Sail Away”, a última de “Don’t Come Easy” que abre os trabalhos, e é logo após ela que o vocalista anuncia que a ordem das músicas está invertida em relação ao álbum.
Conforme a apresentação progride, a mente começa a concluir e questionar: 1) Danny é um dos melhores vocalistas em atividade no rock — tanto no Tyketto quanto no seu mundialmente famoso tributo ao Eagles, seja em estúdio seja ao vivo. 2) O peso da guitarra não mais é subtraído pelo violão tocado por Danny graças à pegada quase metal de Green — preste bem atenção ao solo do cara em “Lay Your Body Down” e comprove. 3) “Standing Alone” é uma das maiores baladas da história, e o teclado caiu como uma luva. 4) Ou o público europeu é contido a ponto de não se fazer ouvir ou a mixagem passou uma borracha na galera cantando junto e berrando nos intervalos.
Passadas as dez músicas de “Don’t Come Easy” — a dobradinha “Wings” e “Forever Young” na saideira é simplesmente de arrepiar —, o Tyketto entrega no bis a trinca “Rescue Me” (representando solitária “Strength In Numbers”; aquele que Vitão Bonesso outrora definiu como “uma sacanagem com os ouvidos”), “Dig In Deep” e “Reach”, que encerra a peleja lembrando os presentes e os ouvintes que o álbum homônimo ainda está disponível e merece ser comprado/precisa ser vendido.
Marcelo Vieira





