Válvera – “Cycle of Disaster (2020)

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Válvera “Cycle of Disaster” (2020)
Brutal Records
#ThrashMetal#GrooveMetal#HeavyMetal

Para fãs de: Machine HeadAngel DustTriviumExhorderKillswitch Engage

Nota: 9,0

O Válvera vem se destacando, fazendo shows e mais shows e ganhando nome na Europa. Com lançamento previsto para o próximo mês, “Cycle of Disaster”, seu mais novo álbum, pode-se dizer que passará a ser seu cartão de visitas e possivelmente o divisor de águas da carreira do grupo dada sua evolução, inovação e ambição de sair de uma possível zona de conforto, fazendo jus àquele velho ditado: “quem não arrisca, não petisca.”

Carregando um excelente Thrash/Heavy Metal em suas composições, o Válvera compôs músicas que agradarão gregos, troianos e xiitas, pois, se você é fã da velha escola, temos diversos riffs socos-na-cara espalhados; se você gosta daquele clima tradicional, com guitarras cavalgadas, seus punhos ficarão erguidos e, possivelmente uma tendinite você ganhará por movimentos repetitivos; agora, se o seu negócio é somente a diversão, refrãos grudentos, timbragem um pouco mais atual, meu amigo, acredito que esse será o seu álbum nacional de 2020.

“Nothing Left To Burn” se inicia de forma primorosa com um Thrash Metal classudo de palhetadas certeiras com aquele típico instrumental pesado com uma enorme densidade; inclusive ao decorrer da música é possível sentir agonia e desespero por conta da parte lírica que narra um dos mais trágicos incêndios da cidade de São Paulo, o do edifício Joelma, que matou 187 pessoas. A faixa-título e “Glow Of Death” são complementares uma da outra: enquanto a primeira prioriza a brutalidade, a outra já introduz mais o groove, guitarras “gordas”; só que ambas trazem uma energia para se bater cabeça.

Trabalhar agressividade, introduzir belas melodias e manter a dinâmica da composição funcionando dentro de uma única faixa cheia de mudanças de andamento são tarefas para verdadeiros mestres na arte. “The Damn Colony” traz exatamente isso que citei acima; rápida, com adrenalina, punch, um ar de revolta, mas com um refrão limpo que me trouxe na lembrança o KISS criando um charme ímpar e eloquente. Algo que chama bastante atenção dentro da temática de “Cycle Of Disaster” é como o homem causa sua própria destruição graças à ganância, intolerância e falta de respeito com a natureza e ao próximo, mostrando o ódio enraizado dentro da humanidade que nos condena a viver nada mais do que um eterno ciclo de desastres.

Mais destaques? “All Systems Fall”, O.S.1977” e “Fight For Your Life”. Mas ao invés de ficar somente elogiando e elogiando, deixo para o leitor a tarefa de ir atrás e se apaixonar pela diversidade metálica que “Cycle Of Disaster” apresenta ao longo de suas nove faixas. Agosto está chegando. Ouça, compre e apoie bandas como o Válvera, que somam ao metal brasileiro, fogem da mesmice, entendem que evoluir é preciso e ser agressivo é necessário.

William Ribas

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