
Vários – “Brazil Rock City: The Brazilian Tribute to KISS“ (2020)
Armadillo Records | Secret Service Records
#HeavyMetal, #ThrashMetal, #GrooveMetal
Para fãs de: Kiss, Metallica, Death Angel, Motörhead
Nota: 9,0
Vou começar esse texto da seguinte maneira: Não, eu não sou um grande fã do Kiss, mas antes de qualquer massacre contra a minha integridade física e moral, preciso só de alguns parcos minutos, aí vocês façam o que acharem correto (risos). Dizer que não sou um grande fã do Kiss não significa de forma alguma que não gosto ou que ache uma porcaria. Eu não sou louco para isso. A sonoridade da banda apenas não me chamou tanto a atenção na juventude pois comecei muito cedo já com coisas mais Heavy Metal e, portanto, mais pesadas. Talvez por conta disso eu não tenha me aprofundando tanto em sua vasta discografia ou até mesmo sendo um gandula do #TimeKiss, que muitos de vocês disputam a posição de centro avante na porrada (risos).
Depois de velho, comecei a ouvir mais, conheço bem a história da banda, conheço todos seus álbuns, músicas etc, e hoje aprecio um pouco mais, só que definitivamente não jogo no time. Reconheço a importância da banda e meu respeito a tudo que criaram é inquebrável. Pronto. Viu? Nem doeu não é?
Agora, chega de lenga-lenga e vamos falar dessa belezinha que chegou em minhas mãos. Sem ouvir, eu já sabia que a qualidade seria, no mínimo, excelente, vide todos os outros tributos com bandas nacionais lançados anteriormente pela Secret Service Records, e agora sua subsidiária Armadillo Records. Sem puxar o saco, mas estou para ver tributos mais caprichados, bem gravados e com gigantesca qualidade (sonora e visual) como T-O-D-O-S lançados por eles até agora. Desafio alguém a falar o contrário. E sabe o que isso significa? Que as bandas nacionais não devem em N-A-D-A às gringas e, pelo que ouvi em todos, chegam até a superá-las! Para os que tem ranço do Rock/Metal nacional, pega seu banquinho e saia de fininho. Aceita que dói menos, pangaré!
Os meus destaques vão para, o Heavy/Thrash Metal do Válvera, que fez aqui uma versão extremamente pesada e alegre de “Heaven’s On Fire”; Motorbastads, como o próprio nome já escancara, totalmente Motörhead – até mesmo no vocal que é idêntico ao do saudoso Lemmy – numa versão suja e potente de “Lick It Up”; Leaviaethan, com “God Of Thunder”, mais pesada e acelerada que a original foi uma grata surpresa; Chaos Synopsis, com”Unholy”, indo no mesmo esquema do Leaviaethan, acelerando muito e desconstruindo-a de uma forma também bastante pesada e genial; Drowned, com “I Stole Your Love”, mais sinistra, veloz e suja que a original mostrando que podemos ter vocais mais sujos e gritados num cover do Kiss, basta saber dosa-lo da melhor forma; Carniça, com uma quebradeira insana e linda em “Love Gun”, Pastore, com “I Love It Loud”, talvez a melhor de todo o tributo por conta das guitarra ganchudas, peso descomunal, produção impecável e o vocal de Mario Pastore soando como Rob Halford na fase do “Painkiller”; Ancesttral, com “Fits Like A Glove”, saiu do trivial, tirou da manga um lado B de respeito e fez bonito; Ignispace, com a balada “Forever”, pode reivindicar a música para si devido ao excepcional trabalho com vocal feminino delicioso de se ouvir, lembrando algo como Cindy Lauper; Attractha, com “Firehouse”, muito pesada e groovada também pode pedir os direitos da música; Tumulto, com “War Machine” cheia de vigor e energia não precisou fazer muito pois a música ajudaria até o Trio Los Angeles; Hicsos, numa versão porrada de “Deuce” ficou impressionante pois se o Kiss fosse Thrash seria dessa forma, e para fechar os meus destaques cito a brilhante, soturna, arrastada, totalmente desconstruída versão – com o peso nas alturas – do Taurus, com “A World Without Heroes”.
As outras não citadas são ruins? Não, só ver a nota dada, mas apenas não me chamaram tanto a atenção. Por exemplo, Ossos Cruzados com “Psycho Circus” ficou muito bom a parte instrumental, mas o vocal me lembrou um Paul Stanley cansado, acabado e bêbado. Longe de ser ruim, ok? Talvez , em certas partes por parecer forçado tenha me incomodado um pouco. O Sextrash fez de “Exciter” uma versão bem despojada, suja e que soasse como o Venom tocando Kiss, interessante, mas também não me cativou. O Bella Utopia, em “Rock N’ Roll All Night”, se tivesse uma produção melhor e deixasse o baixo aparecer mais, talvez fosse um destaque positivo pois a veia Rock N’ Roll da interpretação foi no alvo. Rhasalon e Chemical Disaster, com “Crazy Crazy Nights” e “Watchin’ You” respectivamente, não comprometeram, mas não brilharam.
Soul Factor com “Strutter”, Zenite com “Tough Love” e Pátria com “Detroit Rock City”, por serem versões mais cruas, extremas e mais minimalistas realmente não casaram bem. Nada contra os rapazes, apenas gosto pessoal mesmo. Gosto de coisas mais bem produzidas, se fossem mais bem exploradas creio que seriam destaques, também. Por exemplo, o Pátria foi correto e explorou bem suas características, incluindo até blast beats, mas a produção comprometeu.
Agora, de todos os destaques positivos eu quero deixar aqui claro que Pastore, Ancesttral, Válvera, Leviaethan e Ignispace, Attractha, Hicsos e Tauros são merecedores de efusivos aplausos e me representaram muito!!!
Johnny Z.





