Wael Daou
– “Sand Crusader” (2017)
Independente
Nota: 10
Sim. Nota 10 é pouco! Estamos diante de um fenômeno das 8 cordas. Mr. Wael Daou é um gênio… um monstro… um ET ou qualquer coisa que seja, no mínimo, extraordinário. O cara não só tem uma técnica fora da curva como consegue cativar os ouvintes sem soar ‘aporrinhação exagerada’ ou ‘masturbação gratuita’ em suas músicas, letras e etc. Sabe aquele músico que coloca o ego em quinto plano a favor da música e de sua arte? Pois bem, esse “ser interplanetário” existe e responde pela alcunha supra citada.
Bom, para não soar puxação de saco, o que não preciso fazer e tal babaquice não faz parte do meu dicionário, vamos falar do novo álbum.
“Sand Crusader” é mais dinâmico, mais orgânico, mais trabalhado, mais técnico e anos luz mais bem composto que seu antecessor “Ancient Conquerors” (2013). Quem não o ouviu, não sabe o que está perdendo!
Da mesma forma que em seu primeiro álbum, Wael mostra muita influência de guitarristas como Jeff Loomis (ex-Nevermore e atual Arch Enemy), que mesclam bases sólidas e peso descomunal beirando o Death Metal técnico/moderno por conta das afinações mais baixas (não seja retardado para achar que é Metalcore ou outras abominações que queiram chamar só por conta desse comentário, ok?), harmônicos grandiosos e solos de dar inveja até a John Petrucci. Sim, citei John Petrucci aqui pelo fato de notarmos, claramente, influências e inclinações progressivas em seus solos e melodias.
Tem horas que você acha que está ouvindo um Carcass melhor produzido e nos instantes seguintes um Dream Theater ‘de macho’ (risos). Impossível se passar incólume a tanto bom gosto.
“Sand Crusader”, também, difere-se de seu antecessor por conter várias faixas com vocais agressivos de Death Metal, só que a diferença aqui é que você entende TUDO por conta exatamente da estruturação musical.
Escute as massas sonoras como “Scourge of Humanity”, “Thorns of Joy” e a faixa título, só para citar algumas, e certifique-se que você não ouviu nada tão pesado soando tão bem aos seus ouvidos como nessas músicas! Não adianta ser sempre um mamute (sonoridade) porquê as formigas (melodia + peso inteligente) carregam até 50 vezes mais o seu próprio peso!
Não posso deixar de comentar as passagens mais “calmas” e rebuscadas de faixas como “The Awakening” (dividida em três partes), “Power To Believe” e “Mira” (que coisas lindas!!!), que junto com a massa sonora apresentada por Wael e banda, somados à cantos libaneses (para quem não sabe Wael tem raízes familiares no Líbano) á cargo de sua esposa, transbordam ‘felling’ e exuberância ímpar. Simplesmente sensacional porquê nos leva de corpo e alma de encontro à cultura do povo libanês de forma surpreendente.
Finalizando, além da belíssima arte gráfica de todo pacote à cargo de Gustavo Sazes, temos de brinde a regravação quase que completa, e bem mais brutal, de “Ancient Conquerors” em um CD bônus e, também um DVD com vídeos ‘playthrough’, onde Wael te ‘desanima’ e te ‘faz brochar’ se um dia você pensou, sumariamente, em tentar tocar guitarra.
Johnny Z.





