
Wilderun – “Veil Of Imagination” (2020)
Century Media Records
#SymphonicMetal, #ProgressiveMetal, #FolkMetal, #MelodicDeathMetal
Para fãs de: Opeth, Wintersun, Orphaned Land, Ne Obliviscaris
Nota: 10
São raros os lançamentos que conseguem equilibrar tantos detalhes e características: inúmeras camadas entalhes e estruturas sem que tornem-se engôdos e frustrações sonoras desconexas – O Wilderun e seu mais recente título está entre esses atípicos casos. Formada no ano de 2008 em Boston a banda pratica um Metal Progressivo que se distancia da pretensa e óbvia técnica. Ela existe, claro, mas é diluída entre as várias sonoridades que são incrementadas, adições exóticas, experimentalismo e fusões diversas.
Abrindo as cortinas que ocultam o disco, nos vemos a frente de um emaranhado epopeico de gêneros: de recortes e bordados diversos. A razão é plantada no Prog, mas as raízes crescem para os mais diferentes tipos de solos – chegando ao Symphonic, passando pelo Folk e visitando o Melodic Death Metal. Mesmo que soe confuso em teoria, ouvindo, tudo se encaixa e faz sentido, sem que hajam sobreposições, sobras ou excessos.
Um álbum além dos contornos da imaginação, cheio de frases musicais ambiciosas, de criatividade ainda fresca e muita genialidade. “Veil Of Imagination”, por vezes equilibra-se entre entre técnica e a audácia. O termo “menos é mais” é quase um estranho, embora apareça em momentos certos, fornecendo ao disco pausas para respirar e digerir às tantas informações.
Tal qual um espetáculo teatral ele é dividido 8 cenas, das quais 4 são legítimas odisseias – vide a mágica “The Unimaginable Zero Summer” e seus mais de 14 minutos de expedição ao imaginário sem bússolas. Os demais “Coliseus” são: “Far From Where Dreams Unfurl” (com atuações vocais espetaculares e mares instrumentais vigorosos); a terapia sonora chamada “The Tyranny Of Imagination”e “When The Fire And The Rose Were One” (cheia de oscilações estruturais e tensões – ora calma, ora inesperada, ora furiosa.
As músicas que podemos catalogar como “normais”, são de igual valor, a exemplo de “O Resolution!” e da magnífica “Sleeping Ambassadors Of The Sun”. Que por serem mais resumidas tornam-se mais fáceis de se apreciar e entender. No geral, um disco primoroso e muito expansivo, com muitas almas e ambientes.
“Veil Of Imagination” é encontro de mundos e ideias, dono de uma beleza que transita entre a audácia e a violência – um disco que alimenta o imaginário com faixas hipnóticas, cinematográficas e imperdíveis.
Fábio Miloch





