
Quilombo – “Itankale” (2019)
Poluição Sonora Records
#DeathMetal, #Grindcore
Para fãs de: Nasum, Deicide, Possessed
Nota: 8,5
Alguns fatos históricos são omitidos, defasados ou propositalmente forjados. Episódios importantes referentes a toda uma cultura por vezes não têm seu devido valor creditado, por conta disso, o Quilombo optou por dar voz a real história por intermédio de um Death Metal dos mais cascudos.
Panda Reis (baterista do Oligarquia, Armagedom e ex-Brigada do Ódio), músico conhecido no underground nacional, afirma que a intenção primordial do projeto não é levantar uma bandeira política propriamente dita, mas desmascarar a histografia tendenciosa que temos em nosso país por intermédio da música underground. Atitudes louváveis a parte, vamos ao que interessa.
Fomentando uma sonoridade que nos brinda com proporções equivalentes de Death Metal e Grindcore, o Quilombo trás um módulo avançado de história nacional narrado com a brutalidade obscura da musicalidade underground. Tudo entrecortado por cânticos regionais e folclóricos, que traduzem para a música toda a bagagem cultural de seus ancestrais.
“Itankale” é por si só um documento histórico, conceitual e fidedigno, no entanto, sem nunca soar deliberadamente panfletário. É só a voz de um povo que clama por respeito e justiça, e nada melhor pra isso que uma música das mais incisivas.
Brutal, pesado, sujo e violento. “Itankale” é apenas a estreia do Quilombo no segmento, mas já evidencia uma banda bastante focada e determinada em onde quer chegar com sua arte. Composições duras, ríspidas, oscilando entre a densidade cadenciada e a velocidade caótica, enriquecem o conteúdo deste pequeno disquinho, que vai agradar ao fã de música brutal com conteúdo. Destaques para “Ancestralidade” e “Semideusas”. Vale uma boa ouvida!
Ricardo L. Costa (Colaborador)




