
Helix – “A Helix Christmas” (2018)
No Life Til Metal Records
#HardRock, #ChristmasMusic
Para fãs de: Twisted Sister
Nota: 2,0
Álbuns natalinos são uma tradição que, felizmente, o Brasil não possui – exceto talvez por aquela música da Simone que de tanto assombrar nossos natais, tornou-se um meme e hoje é mais motivo de piadas do que de desespero. No rock, a coisa vem ganhando forma nas últimas décadas, graças ao lançamento de coletâneas V/A como “We Wish You a Hairy Christmas” (2003) e “Monster Ballads XMas” (2007) e, mais notavelmente, ao álbum “A Twisted Christmas” (2006), do Twisted Sister, que a despeito de ser uma baita bosta, rendeu no ano seguinte um ao vivo divertido, quando não constrangedor, de se ver.
A mais recente adição ao hall dos roqueiros que fecham com o Papai Noel a ponto de a ele dedicarem um álbum completo é o Helix. Cerca de quatro décadas de atividade, excelentes álbuns na bagagem – “Walkin’ the Razor’s Edge” (1984) é um clássico indiscutível – e sons que sobreviveram bem ao teste do tempo como “Animal House”, “Heavy Metal Love” e “Rock You” posicionam os canadenses na linha de frente do segundo escalão. Mas mesmo a força de seu passado e a consistência de seu presente são capazes de render uma audição satisfatória neste caso, e o motivo é um só: álbuns natalinos são chatos pra caralho. Ponto.
O problema não é a competência instrumental, nem a produção às vezes fruto de restrições orçamentárias – há gravações tanto mais antigas como recentes, incluindo duas nunca antes ouvidas em lugar nenhum, ou seja, não é de hoje que o Helix brinca com o que a tradicional família cristã considera uma viga importante de seus valores -, mas sim o repertório. Convenhamos: por mais que você anabolize o som com guitarras distorcidas, andamentos mais selvagens e tenha carta branca total para reinventar as cantigas, o ranço do ouvinte – exceto daquele que for entusiasta convicto das festas de fim de ano – prevalece.
Aperte o play, ouça a faixa um, ache legalzinha. Na faixa dois, você já dá aquela bocejada. Tira o CD do aparelho antes de terminar a faixa três e o guarda para nunca mais ouvi-lo ou passá-lo adiante oportunamente. Triste, porém real. E eu não culpo nem julgo quem não quiser ou conseguir terminar nem a faixa um. Nota 2,0 por conta da presença de “Even Jesus”, single do álbum “Bastard of the Blues” – que, aliás, está prestes a ser relançado em vinil limitado -, que cavou lugar no repertório natalino por qualquer motivo que for.
Marcelo Vieira





