
Quiet Riot – “One Night in Milan” (2019)
Frontiers Music
#HardRock
Para fãs de: Great White, Motley Crue, Ratt
Nota: 5,0
Em 28 de abril do ano passado, a presente encarnação do Quiet Riot teve a oportunidade de comprovar sua eficácia diante do seleto público do Frontiers Rock Festival. Seleto em gosto, mas também em número: com boa vontade, é possível contar na capa quantas pessoas estavam presentes no Live Club, em Milão, naquela noite quando Alex Grossi (guitarra), Chuck Wright (baixo), James Durbin (vocais) e o batera e chefão Frankie Banali subiram ao palco para sua hora e pouco de clássicos e surpresas.
Sobre os músicos, todos competentíssimos: Grossi é tecnicamente mais completo que Carlos Cavazo, Wright compensa a postura a la Bill Wyman oferecendo uma qualidade que muitas vezes Rudy Sarzo relegava ao segundo plano em favor de piruetas e presepadas, e Banali ainda é uma referência no seu instrumento. A exceção fica por conta mesmo de Durbin, um Davy Vain que é pago para incorporar Kevin DuBrow. Esforçado, mas ainda ineficaz, e com tanto poder de decisão quanto uma peça de mobília. Uma pena.
Em “Slick Black Cadillac”, o povo, celular numa mão e copo de cerveja na outra, deixa Durbin, que pede um “quem gostou faz barulho aí”, no vácuo. Mais adiante, pedidos de aplauso para Banali, para a Frontiers, para Deus e o mundo… e tome silêncio ou palmas solitárias e solidárias. Poucas vezes ouvi um ao vivo com resposta tão nula por parte do público. “Ah, mas tinha pouca gente…”. Irmão, assista “Global Metal” e veja o barulho que meia dúzia de gatos pingados é capaz de fazer nos lugares mais inóspitos do planeta.
No repertório, uma ênfase lógica no clássico “Metal Health” (1983), que comparece com nada menos que metade de suas faixas — incluindo a balada “Thunderbird”, com Alessandro Del Vecchio ao piano —, mas discos menos festejados como “Terrified” (1993) e “Down to the Bone” (1995) também têm representação — curiosamente, os momentos mais legais por aqui. Do mais recente, “Road Rage” (2017), apenas “Freak Flag” é tocada, e não tem como ouvi-la e não relacioná-la ao Quiet Riot que se vê sobre o palco: “Thrown out, locked down, we’ll never be the same again / Shut down, locked out, get ready for the end”. Kevin DuBrow faz uma falta do caralho.
Marcelo Vieira





