Fabiano Negri – “The Rei Lagarto Years” (2019)

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Fabiano Negri – “The Rei Lagarto Years” (2019)
Independente
#ClassicRock#HardRock

Para fãs de: Glenn HughesMotorgunThe Winery Dogs

Nota: 9,5

Cantina do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp, 1991: entre uma cerveja e outra, teve início uma das maiores bandas de hard rock do Brasil, o Rei Lagarto. O que começou com algumas músicas acabou se tornando uma trajetória de duas décadas, pontuada por cinco álbuns de estúdio, um álbum ao vivo, dois EPs e uma média de 120 shows por ano. Mas por mais atuante e talentoso que fosse, o grupo cansou de perder espaço para bandas cover e tomou a decisão extrema de se separar.

Nos últimos oito anos, os integrantes da última formação se dedicaram a projetos cuja qualidade honra a memória do Rei Lagarto. Sobretudo o vocalista Fabiano Negri, que a exemplo de Jeff Scott Soto e afins, não sabe o que são férias e vem lançando material atrás de material, sempre com uma qualidade muito acima da média para o que se estabeleceu como o padrão brasileiro de tocar rock — o que nos faz, de certa forma, lamentar pelo cara que, evidente e infelizmente, nasceu no país errado.

A última de Negri foi pegar carona no recente show de reunião do Rei Lagarto — realizado no dia 26 de abril, no Jimmy Rocker, em Campinas, São Paulo, confira o vídeo abaixo — e disponibilizar nas plataformas digitais este “The Rei Lagarto Years”. Com repertório selecionado pelo próprio Fabiano, a coletânea supre a carência de material da banda online, ao passo que inclui algumas novidades — que torcemos para que sejam um indício da retomada em definitivo das atividades! —, como a regravação de “Older” e as novas versões de “We Need Somebody” e “Tell Me How We Are Insane”.

Vale mencionar que todas as canções mais antigas foram remasterizadas e soam melhores do que nunca — principalmente a dobradinha “Jump into the River” e “Free Fall”, ambas de 2001. Uma ênfase clara é dada a “The Forgotten Road” (2009), que comparece com nada menos que cinco músicas, incluindo “Dancing in the Moonlight” — não confundir com a homônima do Thin Lizzy! —, que conta com participação do “meio-homem, meio-polvo” Aquiles Priester.

Única crítica: por que não usar da boa e velha ordem cronológica? Enfim, que a repercussão deste “The Rei Lagarto Years” viabilize não apenas um lançamento em formato físico, mas também motive Negri e os outros a dar nova partida nos motores, afinal, de Dr. Pheabes e demais pay-to-plays cuja falta de talento é suplantada por um bom QI nós já estamos mais do que fartos. Deem a este réptil um trono e uma coroa imediatamente!

Marcelo Vieira

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