Bonfire – “Byte The Bullet” (2017)

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Bonfire“Byte The Bullet” (2017)
UDR-Music | Warner Bros
Nota: 7,0

Num repeteco de situação vivida num passado não tão distante, Claus Lessman e o Bonfire seguiram por caminhos separados. As alegações, tanto por parte do vocalista quanto por parte do guitarrista e dono da grupo, Hans Ziller, ora batem, ora não. A grande verdade é que banda é um casamento sem sexo e, tal como qualquer relacionamento, está suscetível ao desgaste natural do tempo. Acontece que substituir um cara do gabarito de Lessman é tarefa para poucos — Michael Bormann, do Jaded Heart, já ocupou este lugar, tendo registrado canções que, infelizmente, permaneceram condenadas à etapa de pré-produção. Desta vez, o substituto é Alexx Stahl, da banda Masters of Disguise, com passagens por Purple Rising e Roxxcalibur. Aos 42 anos, o cidadão esbanja potência. A prova disso pode ser ouvida na íntegra em “Byte the Bullet”, novo disco de inéditas do Bonfire, que caiu na net pouco antes do lançamento oficial programado para 24 de março.

O disco abre com “Power Train”, um arrasa-quarteirão de sete minutos com refrão nos moldes da clássica “Ready 4 Reaction”. Em seguida, momentos cadenciados e picos de velocidade se alternam em “Stand Up 4 Rock”. “Praying 4 a Miracle”, que serviu de aperitivo semanas atrás — e, de lá para cá, já conquistou o posto de terceira faixa da banda mais executada no Spotify —, exibe a faceta melódica responsável por tantos sons marcantes no passado e tem tudo para figurar nas listas de melhores músicas de 2017. A segunda metade do álbum é capitaneada por “Reach for the Sky” (trilha sonora ideal para encarar uma corrida na esteira), “Sweet Surrender” (chupação explícita bukkake hardcore de “Make It Real” do Scorpions) e “Too Far from Heaven”, que encerra o tempo regulamentar e talvez conte com a melhor letra por aqui. Há, não sei se em todas as edições, uma regravação forçação-de-barra da imortal “Sweet Obsession” como bonus track. Não preciso dizer que se trata de uma cópia em baixa se comparada à original registrada pelo Bonfire em seu auge, correto?

No meio disso tudo, há o cover de “Locomotive Breath” do Jethro Tull que já havia sido lançado como prévia e que apenas compõe elenco. Ponto negativo para a balada pau-mole “Lonely Nights” e para a tão autoexplicativa quanto desnecessária “InstruMetal”. Faltou falar de “Friedensreich”, mas quem se importa com 52 segundos do que parece ser um alemão nativo tentando ensinar o idioma a um estrangeiro? Assim quebra a firma.

Ainda que apresente algumas inconsistências e momentos de pouca inspiração, “Byte the Bullet” mostra que é possível e viável um Bonfire sem Claus Lessman. Mas que lá no fundo dá uma saudade da voz dele, isso dá.

Marcelo Vieira (Colaborador)

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