Insomnium – “Heart Like A Grave” (2019)

71654591_1453101574830122_7348804277428551680_n
Compartilhe

Insomnium “Heart Like A Grave” (2019)
Century Media Records
#MelodicDeathMetal

Para fãs de: Omnium GatherumBe’lakorWolfheartMarianas RestBlack Sun Aeon

Nota: 10

Rotular o Insomnium como Death Metal melódico é uma gigantesca injustiça, pois a banda está há anos luz desse “simples” rótulo, sua sonoridade é mais rica, mais madura, mais coesa e mais intricada que a maioria das bandas do gênero – sempre explorando e evoluindo, os finlandeses usam de forma recorrente elementos de Doom, Folk, Black e Metal Progressivo, essa mistura resulta em algo genuinamente singular, repleto de sentimentos, de divagações e panoramas, cuja beleza se legitimiza a cada novo lançamento.

Na ativa desde 1997 a banda já contabiliza sete álbuns e dentre os mesmos estão três absolutos clássicos, verdadeiros diamantes; “In The Halls Of Waiting”, “Since The Day It All Came Down” e “Above The Weeping World”, isso sem mencionar o colossal e altamente ambicioso, Winter’s Gate de 2015, disco constituído por uma única e longa faixa, dividida em partes no melhor estilo, “Crimson” (Edge Of Sanity), sendo, literalmente um grande passo e um capítulo marcante dentro da carreira e discografia da banda.

“Heart Like A Grave”, seu oitavo álbum, se assemelha a uma antologia, pois abrange todos os melhores momentos contidos em seus antecessores e não abrindo mão dos lampejos poéticos, é uma épica viagem onde a bússola é a música, a banda, o leme e o destino pouca ou nenhuma importância tem, bons álbuns tem disso, pena estarem cada vez mais raros nesses dias obscuros de arte como sazonal produto e imprensa focada apenas no que vende, choca e no que gera os cancerígenos e ególatras, “likes”.

Tão logo o que temos aqui é uma banda totalmente focada em sua música e por consequência, em seu novo trabalho, o que essencialmente importa.

Misteriosas teclas trazem “Wail Of The North” à tona, quase um interlúdio devido a sua curta duração, mas parte íntima do álbum, pois abre as cortinas para a atemporal e “insomniana”, “Valediction”; velocidade e amenas passagens milimetricamente encaixadas, contrastes simétricos entre vocais limpos e os guturais profundos e soberbos de Niilo Sevänen; sua sucessora, “Neverlast” mantém a dinâmica e resgata a essência dos trabalhos mais recentes – “One For Sorrow”; e “Shadows Of The Dying Sun”, luz e sombra, fúria e contemplação. Como dito, o álbum assemelhasse e muito a uma compilação, um “best of” dos acertos e dos grandes destaques da carreira (em resumo, toda ela).

O epicentro “Pale Morning Star”, acrescenta mais grandiosidade ao registro: climática, emocional e progressiva, remontando tanto a aura das indispensáveis suítes: “In The Halls Of Waiting”; “Disengagement”; “In The Groves Of Death” e “Lay Of The Autumn”, como também os vislumbres atmosféricos do titãnesco;“Winter’s Gate”. Sobre as porções de Doom Metal, elas surgem a todo momento, mas atentem-se a “And Bells They Toll”, caberia com facilidade num álbum do Swallow The Sun e entendam, é assim que se faz Melodic Doom, com sentimento e não com essas tramas robóticas e efêmeras que tanto aparecem a esmo, perfeita e nada mais a declarar! “The Offering”, “Mute Is My Sorrow” e “Twilight Trails” configuram a plena forma do Insomnium – asas abertas, vento favorável e voo pleno, sem surpresas.

Filosofia/poesia – reflexões de um mundo que tem nas vitórias, o seu altar, mas que se esquece que são nas derrotas que estão as verdadeiras e úteis lições e no melhor estilo “The Promethean Song”, surge a faixa título, “Heart Like A Grave” com sua letra que ilustra magnificamente tudo que o Insomnium é e representa: “anos de decepção e desilusão e tudo que vejo no espelho agora, é um homem velho com um coração como um túmulo.”

“Karelia” é um divagante instrumental, uma genuína ode aos pensamentos e alma, pintura sonora para ser contemplada de ouvidos atentos, mas de olhos cerrados, fechando assim, “Heart Like A Grave” – mais um grande momento (entre tantos) na carreira do Insomnium, com o devido esplendor e qualidade que só o mesmo possui.

Fábio Miloch

Compartilhe
Assuntos

Veja também