Eclipse – “Paradigm” (2019)

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Eclipse – “Paradigm” (2019)
Frontiers Music | Hellion Records Brazil
#HardRock#ModernHeavyMetal

Para fãs de: Åge Sten NilsenNordic UnionW.E.T.

Nota: 7,5

Em março deste ano, a revista japonesa BURRN! escolheu Erik Mårtensson como um dos dez melhores compositores do mundo. Não dá para negar que o sueco é uma usina criativa e produz quase que em escala industrial. Mas, cá entre nós, se não todos, a maioria de seus projetos paralelos soa rigorosamente igual, sempre transitando entre o Hard e o Heavy no que se convencionou chamar metal moderno.

A fórmula do sucesso consta de três ingredientes: guitarras pesadas, vocais estelares e refrões dignos de colocar arenas lotadas para cantar junto. Parece fácil — na verdade, Erik faz com que pareça fácil —, mas é difícil, e “Paradigm”, novo álbum do Eclipse, é o mais novo atestado da superioridade de Mårtensson em relação aos seus pares tanto de nacionalidade quanto de gravadora.

Logo de cara, a produção chama a atenção por não obedecer ao padrão Frontiers de pasteurização cujo maior efeito colateral é a descaracterização em nome de uma suposta uniformização. Querendo colocar todo o seu elenco no mesmo nível, o selo italiano acaba subtraindo identidades e solapando diferenciais a ponto de provocar no ouvinte certo estranhamento. Exemplos não faltam, mas isso é assunto para outra hora.

A partida nos motores é dada com “Viva La Victoria”, que conta com um videoclipe no qual os fãs são a atração principal — nada que chegue aos pés de um KISS Army, mas toda caminhada começa com o primeiro passo, certo? Sua letra é um ensaio sobre a cegueira (“A blind man tries to lead the blind / I’m not sure what they hope to find”) e também um grito de alerta: “A different game is played behind the scene”. Ou seja, em se tratando de políticas e políticos, a verdade nunca vem à tona. Assustador, porém realista.

Só que nem todas as letras compartilham da mesma profundidade: “United”, por exemplo, lança mão de incontáveis clichês — frases como “We are one” e rimar “sinners” com “winners”. A mensagem de união é diluída em tamanha superficialidade. O trabalho de ambos os Magnus — Henriksson (guitarra) e Ulfstedt (baixo) —, porém, é primoroso a ponto de inicialmente lamentarmos a saída do segundo, substituído por Victor Crusner, irmão do baterista Philip Crusner, mas vai que o novo integrante é ainda melhor?

O clima de direção em alta velocidade se perpetua conforme o álbum progride rumo a “The Masquerade”, recentemente acusada por Timo Tolkki de ser plágio da canção que dá nome ao seu grupo Revolution Renaissance. Não vou dizer nem que sim nem que não — não o fiz nem quando anos atrás o Firewind lançou “Tyranny”, cuja introdução é basicamente a de “Detroit Rock City” em outro tom —, mas que parece, parece!

Marcelo Vieira

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