
Artista principal: Blaze Bayley
Banda de abertura: Absolva
Local: Espaço Kubrick, Rio de Janeiro/RJ
Data: 16/01/2020
Produção: Tomarock Produções
Texto por Marcelo Vieira
Fotos por Gustavo Maiato
Após aceitar o convite para entrar para o Iron Maiden, poucos dias antes do Natal de 1993, Blaze Bayley abriu uma garrafa de champanhe, a tomou inteira, sozinho, ficou bêbado e começou a procurar saber quanto custava um Jaguar. De vocalista do Wolfsbane, ele seria vocalista do Iron Maiden e sua vida mudaria por completo. Mas como já dizia o Tio Ben: “Com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades.” Quando “The X Factor” foi lançado, em outubro de 1995, o Iron Maiden recebeu as críticas mais ferozmente pesadas de sua história; muitas das quais metralhando o novo cantor, que gravaria outro álbum com a banda, “Virtual XI” (1998), antes que a perspectiva da volta de Bruce Dickinson o colocasse porta afora em caráter definitivo. O tempo passou e Blaze não sofreu calado: como artista solo, já são doze álbuns e, de 2002 até hoje, foram mais de setenta shows por todo o Brasil; o que não apenas estreitou a relação do vocalista com o público daqui, mas também fez com que esse público que outrora o hostilizou e que por muitos anos desprezou seus trabalhos no Iron Maiden passasse a reconhecê-los como aceitáveis ou “nem tão ruins assim”.
Tanto o nome da presente turnê – Iron Maiden 25th Anniversary – quanto o pôster que traz Blaze Bayley na cadeira elétrica nos fazem supor “The X Factor” tocado na íntegra. Ledo engano. Mas ao contrário do que o vocalista havia adotado como prática comum em suas turnês – ou seja, ênfase nas músicas solo e somente as indispensáveis de sua época no Maiden –, no primeiro show do giro, realizado no último dia 16, no Rio de Janeiro, Blaze apresentou para os duzentos e poucos presentes no recém-reformado Espaço Kubrick (antigo Teatro Odisseia) um repertório que só não foi cem por cento Iron por conta do bis. Acompanhado pelos músicos do Absolva, que abriu a noite (leia abaixo), Bayley desceu ao palco vestindo a camisa da seleção canarinho, ainda a única pentacampeã do mundo. “Lord of the Flies” foi a primeira, seguida de uma “Sign of the Cross” abreviada na longínqua introdução.
Se “Sign” apareceu cortada, a já imensa “The Angel and the Gambler” estendeu-se em solos nos quais Martin McNee (bateria), Karl Schramm (baixo) e os guitarristas e irmãos Chris e Luke Appleton – sim, o baixista do Iced Earth – deram uma mostra adicional de seu talento. Vez ou outra, Blaze discursa sobre a importância do Brasil e do que chama de “meus irmãos e amigos brasileiros” em sua carreira. “Tenho a sorte de ter os melhores fãs do mundo, e por isso, depois do show, antes de ir para o meu hotel cinco estrelas, haverá meet & greet de graça para todos.” Foi o suficiente para que um misto de ovação com ovulação tomasse conta do lugar. Quem porventura tivesse se esquecido de trazer qualquer peça que fosse para o vocalista assinar poderia adquirir cópias dos seus três últimos trabalhos – os volumes 1, 2 e 3 de “Infinite Entanglement” – no estande do merchandising a meros 50 reais cada.
Talvez a grande surpresa da noite tenha sido a inclusão de “Fortunes of War”, pouquíssimo executada pelo cara nas últimas duas décadas. Boquiabertos, os fãs até deixaram de lado o fato de esta ser talvez a pior música de “The X Factor”. E por falar em pior música, a de “Virtual XI” também rolou: “Como Estais Amigos?” foi recebida com o entusiasmo do clássico que nunca foi, e foi cantada com o pouco que restava de voz após a sequência arrasa-quarteirão “Man on the Edge” e “Futureal”. Depois dela, somente o bis, com “Doctor Doctor”, do UFO, que eu espero que todos os leitores não só conheçam como captem a mensagem. “Muito obrigado pelo seu apoio, por compartilharem do meu sonho, por serem parte do meu sonho e serem parte tão importante da minha vida”, disse Blaze. Se eu chorasse, teria chorado, mas preferi correr para a fila do meet & greet para garantir meus autógrafos, porquê de bobo eu não tenho é nada!
Setlist Blaze Bayley:
Lord of the Flies
Sign of the Cross
Judgement of Heaven
Fortunes of War
When Two Worlds Collide
Virus
Lightning Strikes Twice
The Clansman
The Angel and the Gambler
Man on the Edge
Futureal
Como Estais Amigos
Doctor Doctor (UFO)
Com disco novo prestes a ser lançado — “Side by Side” chega às lojas no dia 17 de abril via Rocksector Records —, os ingleses do Absolva deram início aos trabalhos pontualmente às 20h e, no decorrer dos quarenta e poucos minutos seguintes, apresentaram um repertório focado nas músicas do recente “Defiance” (2017). A fatia mais antiga foi composta por “From Beyond the Light” e pela indispensável “Code Red” — com direito às presepadas que todos amamos, como um tocando na guitarra do outro ou tocando o seu próprio instrumento com as mãos invertidas —, mas o que levantou o público mesmo foi um cover. “Vocês sabem que eu toco numa outra banda chamada Iced Earth, né?”, perguntou Luke, antes de engrenar “Watching Over Me” num arranjo mais cadenciado, dividindo os vocais com Chris, que não para quieto no palco, e — por que não? — com todos lá presentes. Agora é o Iced, quando voltar ao Brasil, não deixar essa música, tão importante para os brasileiros, de fora do repertório apesar dos incessantes pedidos.
Setlist Absolva:
Life on the Edge
Rise Again
Never a Good Day to Die
Defiance
No Tomorrow
Legion
From Beyond the Light
Watching Over Me (Iced Earth)
Code Red
O Metal Na Lata agradece a Luciano Paz (Tomarock Produções) pelo credenciamento e pela parceria.



































