
Raw Noise Apes – “Damnatio Memoriae” (2019)
Old Grindered Days Recs
#Grindcore, #Noisecore
Para fãs de: Napalm Death, Nasum, Rotten Sound, Pig Destroyer
Nota: 10
Essa foi talvez uma das bandas que mais me surpreendeu no ano passado, não por sua grande invencionice ou incomparável originalidade vanguardista, mas por entregar justamente aquilo que eu esperava de uma banda do gênero: som brutal, dissonante, angustiante e pesado como o inferno. Não à toa me conquistaram a ponto de lhes conceder um lugarzinho na minha lista de melhores do ano.
O Raw Noise Apes vem da Grécia e é adepto do Grindcore tradicional, onde os tiros vêm antes das perguntas, se é que compreendem a analogia. Atualmente, muitas bandas do estilo vêm aprimorando seu som, adaptando novas nuances e expandindo seus horizontes, mas essa premissa não funciona com esses sujeitos. Aqui, a pegada se aproxima do Noisecore, com ritmo frenético incessante, vocais “conversando” e alternando entre o gutural ininteligível e o rasgado desesperado em meio a toda sujeira e peso que deixa claro o por quê do “Raw Noise” do nome soar tão bem e ser tão apropriado.
Sem variações, sem quebras de andamento, sem melodias, sem lirismos infundados, nada disso. “Damnatio Memoriae” é o resgate pertinente das origens deste estilo tão amado e controverso, e o melhor de tudo: registrado decentemente, deixando de lado aquele aspecto de gravação feita num cativeiro de sequestro e dando lugar a uma genuína marretada no queixo de tão impactante. Talvez essas mal traçadas linhas não façam jus ao que quero demonstrar, mas uma pequena exposição a “Sinful Frenzy”, “Restless Selfitis”, “Unutterable Self-Deprecation” já é capaz de causar mais tumulto e destruição do que esse coronavírus mequetrefe.
Ahhh, e antes que eu me esqueça, essa gema bruta da violência sem precedentes fora lançada em solo nacional, agraciada com “apenas” 14 faixas bônus extraídas da primeira demo do grupo. Som pra animar o churrasco de família durante o carnaval, servindo de retiro de purificação espiritual. Compre agora. É uma ordem!
Ricardo L. Costa (Colaborador)




