Wintereve – “October Dark” (2020)

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Wintereve – “October Dark” (2020)
Independente
#MelodicDeathMetal#DoomMetal#GothicMetal

Para fãs de: Ashes You LeaveWine From TearsAmederiaMoaning SilenceTales of Dark…

Nota: 8,0

Poucos álbuns conseguem transmitir tanta poesia e tantas emoções quanto “October Dark”, o parágrafo segundo na discografia dos franceses do Wintereve. Explico, ainda que não apresente nada de inovador e tão pouco, original, ele consegue fluir naturalmente e prender a atenção do ouvinte. A sinceridade e apelo à sensibilidade são os seus maiores predicados.

“October Dark” traz em si maturidade e evolução em níveis consideráveis, ainda que esbarre por vezes em alguns clichês inevitáveis: as vocalizações femininas em oposição às masculinas, nas estruturas e formas como as composições desenvolvem-se. Suavidade e agressividade; sensibilidade melódica –, silhuetas de luz em meio à sombras.

As oito faixas nele apresentadas pontuam-se entre o Death Metal, o Doom e o Gothic Metal, com espaço à belos fraseados melódicos e harmonias inteligentes e solos bem arranjados. Enquanto os vocais de Mary funcionam como a peça chave dentro do álbum, por sua doçura e melancolia; Armand, que também cuida da parte instrumental – (baixo, teclados e guitarras) – usa sua voz de forma comedida, mantendo equilíbrio e não forçando uma rispidez desnecessária ao ritmo e dinâmica das composições.

Os destaques em primeira estância surgem logo na trinca de abertura: “Olima”, “Sea Of Suffering” e “The Quiet Desperation”; como se fossem um elo perdido entre o Gothic Metal 90’s e Melodic Doom Metal dos anos 2000. Numa audição que pontua qualidades há ainda espaço para citar a faixa que dá nome ao disco e seu refrão lacrimoso; a frágil, “To Die In Your Arms” e a derradeira e longa, “Down The Path To Perdition”. Faixa essa que além concentrar todos os elementos do disco, ainda memora os escritos primogênitos do Theatre Of Tragedy e também o Draconian, da época do “Where Lovers Mourn”.

O Wintereve avança mais um degrau rumo seu lugar merecido, com alguns tropeços e falhas óbvias; e os ditos clichês, são ruins e bons, pois seguem a lógica do veneno: podendo curar ou matar, embora aqui, o mais importante é saber administrar a dose.

Fábio Miloch

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