Amammoth – “The Fire Above” (2021)
Electric Valley Records
#StonerMetal, #SludgeMetal, #DoomMetal
Para fãs de: Eyehategod, High On Fire, Acidemia
Nota: 8,5
Pouco mais de 39 minutos divididos entre 6 faixas opulentas, ásperas, rançosas e pouco domesticadas. Riffs azedos, bateria maciça e verticalmente morosa — vocais sujos e algumas dilatações mais viajadas, no limiar entre o pseudo despojamento do Stoner e a devastação lenta (nem sempre) do Sludge Metal. “The Fire Above” (Electric Valley Records) é o primeiro lançamento completo dos australianos do Amammoth, trabalho esse, que acerta em diversos pontos (medidas e proporções), mas perde um pouco de sua excelência quando investe em longos (e por vezes intermináveis) delírios instrumentais. Não que sejam ruins ou pouco inspirados, mas nos gêneros praticados pelo trio, o senso de direção e o peso são muito mais importantes que a duração e a elasticidade dos instrumentais.
“The Fire Above” foi gravado por Jason Whalley (Lord Sword) nos estúdios Pet Food Factory, em Marrickville, Sydney. Mixado por Clem Bennett (RiotChain) e masterizado por Steve Smart (Chalice, Elysium, Stone Wings). A capa é assinada por Marco Nieddu — da banda italiana de Stoner/Doom Metal 1782.
“Heal” é o primeiro quilometro sonoro do álbum. Psicodélica e um tanto primitiva, cujo peso vai sendo construído em meio a batidas tribais e esporádicas aparições vocais. Em “The Sun” o trio investe sem restrições na lama e no peso insalubre do Sludge. O nível de educação musical desce, mas a qualidade do trabalho sobe, e caso não seja a melhor faixa do disco, com toda certeza está entre as mesmas. “Shadows” é um passeio por uma trilha acidentada, repleta de curvas e trechos íngremes. Indo das alucinações e imagens tortas do Stoner até a mais inconcebível imundice. “Rise” vai pelos mesmos ensinamentos, embora tenha mais relevos e um maior nível de insanidade.
As duas próximas faixas são reciclagens e revisitas às ideias apresentadas nas anteriores. “Blade Runner” é boa em sua continuidade e em suas elevações, assim como é, também, “Walk Towards What Blinds You (Blood Bong)”. Cuja personalidade é quase jurássica, muito embora seja bem desenvolvida e alinhada —, e um tanto mais propensa ao Doom e aos ensinamentos setentistas dos senhores de Birmingham. Em suma um trabalho realmente notável, mesmo tendo alguns exageros. Não indicado a quem sofre de vertigem, a quem declara que mais de 5 minutos de áudio via WhatsApp já é um tutorial, aos que sofrem de diabetes musical por escolha ou para aqueles que mandam mensagens motivacionais às 5 da manhã. Aos que gostam de selvageria, morosidade, pântanos e aos adeptos da “Green Leaf”, eis aqui uma excelente indicação. “That’s All Folks”!
Fábio Miloch





