Johnny Crash
– “Neighborhood Threat” (1990)
WTG | CBS Records
#HardRock
Nota: 8,0
Nascido em família rica no norte da Inglaterra, Vicki James Wright decidiu pelo rock ‘n’ roll para “irritar os outros”. Sem saber que era impossível, ele foi lá e fez. E adorou fazer. Sua estreia em disco foi em 1984 no agora clássico “Night of the Blade” do Tokyo Blade. No ano seguinte, o som americanizado de “Blackhearts & Jaded Spades” acabou desagradando aos fãs mais tradicionais. Vicki pediu as contas e comprou passagem só de ida para os Estados Unidos, onde seria reprovado numa audição para o L.A. Guns por ser loiro (!) antes de entrar para o Johnny Crash a convite do guitarrista Christopher Stewart. August Worchell (guitarra), Andy Rodgers (baixo) e Stephen “Punkee” Adamo (bateria) completavam o line-up que passou meses batalhando na cena underground de Los Angeles antes de assinar com a WTG/CBS.
Com título retirado de uma canção de Iggy Pop e capa ilustrada por Barry Jackson — o mesmo de “Afterburner” e “Recycler”, do ZZ Top —, Neighborhood Threat saiu em 1990, e não demorou até o Johnny Crash cair na estrada ao lado de nomes como Bonham, Pretty Maids e todo-poderoso Mötley Crüe. O clipe de “Hey Kid” teve seu momento na MTV antes de a programação do canal ser tomada de assalto pelas bandas grunge de Seattle. Mas não passou disso. Um segundo álbum, “Damnation Alley”, chegou a ser gravado em 1992, mas, apesar das participações de peso — Matt Sorum (bateria) e Dizzy Reed (teclados) do Guns N’ Roses —, a gravadora rescindiu contrato. O material teria de aguardar até 2008 para ver a luz do dia, em tiragem limitadíssima, sob o título “Unfinished Business”.
Passados 27 anos de seu lançamento, “Neighborhood Threat” ostenta um status de cult, e o Johnny Crash tende a ser lembrado como uma dessas bandas de hard rock de um disco só que chegaram tarde demais à festa. Talento e ‘timing’ nem sempre andam de mãos dadas. Andy Rodgers morreu de overdose em 1993.
Marcelo Vieira (Colaborador)





