Aynsophar – “Abismal Secrets Of Unknown” (2017)

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Aynsophar
 
“Abismal Secrets Of Unknown” (2017)

Independente
#AlternativeMetal,#AlternativeRock#DeathMetal#ExperimentalMetal

Para fãs de: Death, Mirkur, MayhemFrantic Amber

Nota: 8,0

Ouvir “Abismal Secrets Of Unknown” é como estar a beira de um precipício sonoro, é como estar em um lugar extremo, desconhecido, caótico e experimental. O EP da guitarrista húngara, Barbara Teleki, expressa de forma tão verdadeira quanto complexa o que se passa na cabeça dela como se fosse uma autobiografia sonora.

A audição é cheia de surpresas. O som é extremamente pesado, puxado para o grave, com muita dissonância nos riffs e, principalmente, nos duetos de guitarra e solos. Há muitos duetos de guitarra e partes instrumentais que são, propositalmente, bem confusas. Os instrumentos parecem ir cada um para um lado. A bateria parece estar tocando uma música diferente das guitarras, que por sua vez, também, parecem estar tocando músicas diferentes uma da outra, só que de repente tudo se encontra harmoniosamente em um riff compartilhado por todos. Ou em outro momento e em meio ao caos absoluto que descrevi a cima, os instrumentos param de tocar de repente todos ao mesmo tempo.

O trabalho de guitarras é, a cima de tudo, criativo. Parece que cada trecho foi pensado, repensado e refeito. O mesmo cuidado parece existir mesmo e, sobretudo nos momentos mais caóticos, onde o desencontro te leva a crer que há duas, ou mais músicas sendo tocadas simultaneamente.

O vocal é gutural quase o tempo todo e em boa parte do tempo há dobras, ambas guturais, porém cada uma em um tom, uma mais grave e outra mais aguda. Na última faixa, “Eternal Soul Damnation”, as vozes aparecem limpas, porém com bastante manipulação, com efeitos para ficar mais grave ou aguda, reverbs, delays e moduladores. Tudo de forma bem interessante e criativa.

Mas o grande lance do projeto é que ele foi integralmente concebido pela Húngara. Isso mesmo! Ela fez todos os arranjos, tocou todos os instrumentos e cantou inteiras as quatro faixas. Acha pouco? Pois te digo que isso é louvável e é para poucos pois dá trabalho fazer algo assim sozinho. Acredite, dá “muuuuuito” trabalho. Mas o fato é que alguém que se dá a esse trabalho normalmente coloca toda a sua verdade nisso e a expõe ao julgamento alheio. Barbara Teleki fez isso e merece todo o meu respeito.

Agora, o mais interessante é que apesar de toda a experimentalidade do projeto e das partes confusas e quaisquer outras coisas que tornem a audição do trabalho, a princípio, difícil; ainda assim achei fantástico. Ocorre que em se tratando de projeto artístico o material é sensacional. Vou tentar explicar minha teoria. Imagina como funciona a cabeça de uma pessoa e todas as complicações, confusões, ideias e pensamentos completamente diferentes que aparecem ao mesmo tempo, ideias que estavam baratinadas e de repente fazem sentido e se encadeiam de forma harmoniosa, pensamentos ternos, ideias maldosas e tudo que compõe a cabeça de uma pessoa.

Pois é, tudo isso e mais um pouco parecem estar ali. A tal da “autobiografia sonora”. A historia da vida da guitarrista contada através de notas musicais, barulho, ruídos, sons, música.

Rafael Lobo

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