
A Caverna – “Saia da Caverna” (2019) (EP)
Independente
#HardRock, #PosPunk
Para fãs de: Ira!, Golpe de Estado, Plebe Rude, The Cult
Nota: 8,5
Apesar de recentemente fundada (em agosto de 2018), a banda A Caverna traz em suas fileiras soldados condecorados do Rock/Metal paulista.
Impulsionados pelo desejo de compor músicas com influências variadas, Zelão (mais conhecido como Zelão Baal, do Rising) e Rafael Orsi Cecílio (Genocídio e The Anger), nos entrega “Saia da Caverna”, primeiro EP do projeto. Enquanto Zelão responde pelos vocais e letras, Rafael toca todos os instrumentos, se destacando nas guitarras, ao sacar harmonias simples e solos certeiros, que são os grandes momentos das composições, sem dúvidas. Ao vivo, a dupla é amparada pelo baixo de Ricardo Penha e pela bateria de Rafa Hernadez.
Em suma, são quatro músicas que misturam Hard Rock e Classic Rock com o Rock Nacional oitentista em sua versão urbana, acinzentada, e paulista, fortemente inspirada pelo Pos-Punk. “Longo Caminho”, por exemplo, remete diretamente ao IRA!, assim como “Visões da Guerra” (preste atenção à letra dessa música), com linha de bateria marcial e um pouco mais de peso. Completando o repertório temos as duas faixas com maior instinto Hard Rock, “Avenidas da Metrópole” (que até me lembrou algo do The Cult) e “Rock é Rock Mesmo” (com um solo vibrante), essa segunda com guitarras nervosas e precisas.
Tanto a proposta musical (imprevisível, pelos nomes envolvidos), como o título do EP (mais diretamente), e as letras (num discurso plural) parecem traduções cruas do “Mito da Caverna” de Platão para nossa atual e maniqueísta realidade brasileira, numa clara intensão de propor um escape dos pensamentos e posturas limítrofes, seja no Rock/Metal ou fora dele.
Mesmo assim, não espere nada panfletário ou de pretensões intelectuais. Fica nítido que o objetivo é ser simples e direto, como bem o velho Rock n’ Roll funcionou na maioria das vezes. A proposta ainda precisa de ajustes, na produção e polindo algumas arestas dos arranjos que tornem as estruturas mais fluidas, mas como um primeiro trabalho é muito além de promissor. Que venha o álbum completo!
Marcelo Lopes Vieira





