Adrenaline Rush
– “Soul Survivor” (2017)
Frontiers Music srl
Nota: 7,0
Esse álbum poderia ser espetacular…
O Hard Rock energético, poderoso, e tempestuoso do Adrenaline Rush vem aditivado neste segundo trabalho, intitulado “Soul Survivor”, onde melhoraram o que já estava bom no álbum anterior, mas deixaram de atentar ao triste fato de que o problema da banda está justamente em seu símbolo estampado na capa: a vocalista Tåve Wanning.
Ao menos aos meus ouvidos, sua performance estridente incomoda, quase como uma versão híbrida de Cyndi Lauper e Bonnie Tyler, formatada para o novo milênio.
Obviamente, neste âmbito, tudo resvala ao gosto pessoal, e talvez sejam meus ouvidos que não estejam preparados para Tåve, preferindo vocais rasgados como os de Lzzy Hale, ou, até mesmo, a impetuosidade pop de Taylor Momsen, do The Pretty Reckless.
A faixa “Breaking The Chains”, é um ótimo exemplo do que quero retratar, resumindo boa parte do panorama do álbum: um Hard Rock energizado, com melodia cadenciada, passagens bem ajambradas, e refrão marcante, mas que não emplaca justamente pela performance vocal. E acredite, pode piorar quando ela resolve subir o tom nos backing vocals de “My Life”.
Em contrapartida, o instrumental está brilhante, e a menos do vocal, as composições trazem momentos diferenciados, relativamente mais complexos se comparadas ao primeiro álbum, envoltas em leves sombras, e meia dose à mais de peso. “Break The Silence” e “Shock Me”, por exemplo chegam a flertar com o Heavy Metal.
E se Tåve Wanning é o ponto negativo, o guitarrista Sam Soderlindh é o ponto positivo da formação, exercitando sua virtuose em certos momentos, mas sempre atento ao feeling.
Sua parceria nas seis cordas com Alexander Hagman é o que se destaca, principalmente quando estão segurados pela competentíssima cozinha de Joel Fox (baixo) e Marcus Johansson (bateria), fato corroborado pelas ótimas “Stand My Ground” e “Don’t Wake Me Up” (um Rock N’ Roll suculento) que nem a estridência vocal de Tåve conseguiu estragar.
No mais, é um álbum onde o instrumental está perfeito, bem composto e executado, com ferocidade, lascívia e vontade, mas que a produção poderia ser menos saturada e o vocal melhor trabalhado, pois as faixas “Love Like Poison”, “Sinner”, “Crash”, e “Wild Side” trazem indícios claros de que a fórmula pode funcionar se certos exageros foram controlados.
Marcelo Lopes Vieira





