…and Oceans – “The Regeneration Itinerary” (2025)
Season of Mist
#BlackMetal, #SymphonicBlackMetal, #ExperimentalMetal
Para fãs de: Dimmu Borgir, Samael, Cradle of Filth
Texto por Lucas David
Nota: 10
O Black Metal Sinfônico já nos apresentou alguns dos maiores clássicos da música extrema, com nomes como Dimmu Borgir e Cradle of Filth dominando as conversas entre fãs e resenhas. Mesmo com esses medalhões à frente, muitas bandas seguem lançando grandes discos, repletos de atitude e de um lado experimental que as destaca em meio a tantos trabalhos — e é exatamente o caso do and Oceans. Os finlandeses, que já estão na estrada há mais de 30 anos, chegam a 2025 com seu novo disco, o excelente The Regeneration Itinerary, lançado pela Season of Mist.
Adicionando cada vez mais elementos experimentais a cada novo álbum, o and Oceans conseguiu incorporar diversos estilos e ideias que surgiram ao longo de sua história, criando aqui um dos discos mais fascinantes e revigorantes que o Black Metal Sinfônico presenciou em muito tempo. Como primeiro destaque, a banda é altamente técnica, com cada instrumento sendo executado de forma impecável. Em segundo lugar, eles deixam de lado o satanismo e o ódio às religiões, apostando em temas mais ligados à vida, ao universo e ao infinito, tendo como inspiração para “The Regeneration Itinerary” a obra O Alquimista, do escritor Paulo Coelho. Só isso já deveria ser um atrativo a mais para os fãs.
Mas não para por aí. O disco abre com “Inertiae”, que traz um sintetizador digno de trilhas sonoras de filmes de ficção científica, antes de mergulhar em um ataque feroz de Black Metal, com riffs cortantes, blast beats e os vocais guturais de Mathias Lillmans, que esbanjam uma presença monstruosa. A faixa ainda apresenta um momento inesperado com uma batida eletrônica, mas logo retorna à brutalidade inicial. “Förnyelse i Tre Akter” é outro ataque impiedoso, com riffs matadores da dupla Teemu Saari e Timo Kontio, a bateria incansável de Kauko Kuusisalo e os vocais de Lillmans flertando com guturais mais próximos do Death Metal, remetendo ao que Nergal faz no Behemoth. É um épico de mais de cinco minutos que deixa qualquer fã de Black Metal sorrindo de orelha a orelha.
O lado mais sinfônico da banda se destaca em “Chromium Lungs, Bronze Optics”. Mesmo começando com uma bateria intensa, riffs gélidos e um grito infernal, a faixa aposta pesado na orquestração, soando como a trilha sonora de um filme, tamanha sua capacidade de crescer e envolver quem ouve. Na sequência, “The Form and The Formless” volta a priorizar velocidade e violência, mas desta vez resgatando as batidas eletrônicas que ouvimos na abertura do disco. Para alguns, essa mistura pode soar estranha — afinal, os estilos são bem distintos —, mas dentro de “The Regeneration Itinerary”, funciona perfeitamente. Mais do que apenas fugir do convencional, essas inserções eletrônicas servem como um respiro no meio de tanta agressividade, sem jamais quebrar o clima sombrio e opressor do álbum.
Já “The Fire in Which We Burn” se apresenta como a faixa mais direta do álbum, trazendo uma pegada digna do True Norwegian Black Metal, sem abrir mão de passagens sinfônicas e de muitos teclados, além de investir pesado na força dos riffs. Ela prova que, apesar de ser um disco recheado de experimentações, o que temos aqui é puro metal extremo, sem qualquer misericórdia.
Muitas bandas, ao se assumirem “experimentais”, acabam afastando parte do público, especialmente os que acreditam que o Black Metal deve permanecer “puro”. No entanto, o trabalho realizado pelo and Oceans é mais do que um convite aos que apreciam boa música — é uma demonstração de técnica, paixão e ferocidade. Mais do que um disco de Black Metal Sinfônico, “The Regeneration Itinerary” é uma viagem épica, ousada e original, como poucos se atrevem a fazer nos dias de hoje.





