
Angel – “Risen” (2019)
Cleopatra Records
#HardRock
Para fãs de: Kiss, Journey, Deep Purple, Van Halen
Nota: 9,5
Ser “sócio-torcedor” de uma banda torna a missão de resenhar seus trabalhos uma tarefa um pouco mais complicada. Sendo uma banda que estava inativa desde 1981, com um “espasmo” em 1999 e retornando em 2019, o clima de ansiedade para ouvir e escrever sobre o mesmo foi até a estratosfera. Mas a espera valeu muito a pena, apesar de longa.
O Angel é um caso bem curioso na história do Rock. Eles foram descobertos por um tal de Gene Simmons em 1975. Após assisti-los ao vivo, o linguarudo do Kiss, sempre com sua visão de empreendedor (leia-se também faro para ganhar grana), ficou muito impressionado e os indicou para os engravatados executivos da sua gravadora na época,a Casablanca Records.
No mesmo ano lançaram o primeiro álbum, “Angel” e tiveram relativo sucesso. A banda adotou um visual “angelical”, todos os integrantes vestiam-se de branco, numa forma de ser como um antagonista ao Kiss que utilizava as suas roupas tradicionais em tons de preto. Apesar das boas vendas de seus álbuns e turnês extensas, a banda acabou seis anos depois, em 1981, após desilusões com a gravadora.
Então podemos dizer que o Angel ficou no meio do caminho, mas apesar disso, criou uma boa base de fãs e atingiu o status de banda “cult”. O único integrante que seguiu com relativo sucesso a carreira foi o tecladista Greg Giuffria, com as bandas Giuffria e depois com o House of Lords, ambas bandas que em alguns momentos lembraram o que ele havia feito com o Angel. Os demais desapareceram do mundo da música, até 1999, quando o vocalista Frank Dimino e o excelente baterista Barry Brandt criaram uma versão do Angel, e gravaram “In the Beggining”, com a participação do guitarrista original Puny Meadows em duas músicas. A verdade é que este álbum ficou bem abaixo das expectativas e em nenhum ponto chega perto dos trabalhos clássicos . Muito por conta disso, essa “reunião” não durou muito e o Angel desbandou novamente.
Em 2016 o vocalista Frank Dimino e o guitarrista Punky Meadows gravaram ótimos trabalhos solo e começaram a fazer shows e seguidamente um participando do show do outro, dando indícios de que algo poderia começar a acontecer no campo do Angel. Dito e feito, em 2018 o Angel retorna a fazer turnês, com seus dois principais músicos, Frank e Punky. Danny Farrow (guitarra), Charlie Calv(teclados), Steve Ojane (baixo) e Billy Orrico (bateria) completaram o time e agora em 2019, “Risen” é lançado e o resultado é simplesmente excelente.
O que temos aqui nada mais é do que o som vigoroso que o Angel praticou nos anos 70, ou seja, um Hard Rock pesado, com uma leve aproximação do AOR e flertando com o progressivo, sem dispensar também um contato mais chegado ao pop. A abertura “Angel Theme” é basicamente uma introdução apenas com teclados, que deve ter deixado Greg Giuffria orgulhoso. Ela abre caminho para “Under The Gun” e “Shot Of Your love”, dois Hard Rocks fortíssimos que mostram que Meadows e Dimino não ressuscitaram o Angel para apenas brincar. Peso e melodia nestas faixas, liderada pela voz em forma de Frank Dimino. “Slow Down ” segue no mesmo clima, enquanto “Over My Head” tem uma introdução e bateria com um timbre muito semelhante ao do batera original Barry Brandt. A produção teve todo o cuidado para que a banda soesse como o Angel que os fãs conhecem, mas ao mesmo não fique parecendo um arremedo de si mesma, soando datada.
“1975”, uma balada que como o próprio título fala, é uma nostálgica volta ao passado , a letra quase que biográfica da banda. Um dos grandes momentos do trabalho.”We Were Wild” retorna ao Hard Rock clássico, com um excelente solo de Punky, que mostra toda a sua técnica.Um guitarrista muito subestimado, e que deveria receber muito miais reconhecimento. “I.O.U”, quase pop, teria lugar certo nas rádios se estivéssemos em outros tempos. “(Punky’s Couch Blues) Loaded Coacked and Ready to rock”, com uma introdução “bluesy” de Punk (dai o nome né?) descamba para mais um belo Hard Rock daqueles e essa tem toda a cara que será uma dos grandes momentos a serem tocados ao vivo na turnê vindoura da banda. “Turn Around” e “Desire” parecem duas faixas “gêmeas” Como diferenças entre elas ,que tem o mesmo clima rocker, a primeira mais oitentista e a segunda poderia estar lá nos lançamentos dos anos setenta.
Em uma época que vemos alguns grandes vocalistas dos anos setenta tendo dificuldades nas suas vocalizações, é realmente gratificante ver Frank Dimino, que sempre teve um vocal com tons altos, conseguir desempenhar muito bem seu papel. Como sou fã do rapaz, fui verificar os videos ao vivo dos shows que a banda fez em 2018, e o Sr. Dimino está muito bem. E o reflexo disso está em “Risen”, onde ele é um dos maiores destaques. “Our Revolution” é a próxima. Sim, Heavy Metal puro, o Angel trabalha também com primor. A faixa mais pesada e uma das minhas preferidas. Em contrapartida “Tell Me Why”, um pop meio sem sal é a mais fraca, para meu gosto. “Don´t Want To Go” vem numa pegada mais AOR, “Stand Up” eh na mesma linha mais melódica enquanto “My Sanctuary” retorna ao Hard Rock pesado e energético.
Depois de 16 músicas (!!!) chegamos a última música: a regravação do clássico “Tower” primeira música do primeiro disco. Não sou a favor de quando uma banda regrava seu material já editado, mas nesse caso, achei justificável. Após tanto tempo fora de cena, é interessante o Angel apresentar para as novas gerações que não conhecem seu material antigo, como a coisa funcionava. “Tower” é uma das músicas mais fortes da banda e contém todos os ingredientes que fizeram a banda de Washington famosa nos anos 70. Pesada,cheia de técnica e variações.
Enfim, um excelente trabalho de uma banda veterana, e que volta com tudo.Espero mesmo que essa encarnação do Angel seja duradoura, pois além dos dois membros fundadores, é formada por excelentes músicos que souberam muito bem honrar o legada da banda. Como falei no inicio, tentei não ser muito fã para descrever este trabalho, mas não tenho como não fechar dizendo que este é um dos lançamentos do ano.Se você curte Hard Rock, Classic Rock, descubra o Angel.
José Henrique





