Anthares – “O Caos da Razão” (2015) (Relançamento 2024)

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Anthares – “O Caos da Razão” (2015) (Relançamento 2024)

Dies Irae Records
#ThrashMetal

Para fãs de: Sepultura (antigo), Korzus, Mutilator

Texto por Matheus “Mu” Silva

Nota: 8,0

Quase dez anos após seu lançamento, o segundo disco de estúdio da lendária banda paulistana de Thrash Metal Anthares, “O Caos da Razão” (2015), ganhou uma merecida reedição em formato slipcase, lançado pela Dies Irae Records.

Um dos pilares do Thrash Metal nacional, formado em 1984 em São Paulo/SP, Anthares foi uma das bandas pioneiras do estilo no país. Após duas demos que esgotaram rapidamente no underground, a banda finalmente lançou seu debut, o seminal clássico “No Limite da Força”, em 1987. Com uma gravação crua, às vezes até um tanto primitiva e letras em português, eles cravaram seu nome na história da música pesada brasileira, com um disco veloz, agressivo, e refrões que ainda são cantados até hoje, muito por causa dos vocais influentes de Henrique “Poço”, além do trabalho instrumental visceral. A banda seguiu com apenas esse disco e mais duas demos posteriores, até seu fim precoce em 1996, devido a como o metal estava em declínio na época e às constantes mudanças de formação.

Anthares retornou efetivamente apenas em 2008, quando Diego Nogueira, vocalista até os dias de hoje, assumiu a missão de reerguer a banda junto com seus membros mais antigos. O trabalho foi recompensado com o lançamento de seu segundo disco, “O Caos da Razão” (2015), 28 anos depois de seu debut. Além de Diego, a formação na época incluía Pardal (baixista e único membro original), Eduardo Topperman e Maurício (guitarristas das demos dos anos 90) e Evandro Jr na bateria.

O disco abre com a furiosa “Sementes Perdidas”, a melhor faixa do álbum. Quando o disco foi lançado, lembro-me de cantar o refrão “herdeiros do caos, sementes perdidas!” – tão marcante que ficou. Os vocais de Diego encaixaram-se perfeitamente, lembrando não só o que Poço fazia no debut, mas até trazendo influências de outras bandas, como Dark Angel, por exemplo. A estrutura do disco é consistente, com riffs rápidos e precisos e letras em português, proporcionando uma melhor assimilação – uma pedrada atrás da outra. “Ócio” ganhou videoclipe, que enriquece o sentido da letra, e a faixa-título “O Caos da Razão” traz variações simples mas eficazes, assim como “No Poço do Obscuro”, com elementos hardcore e um excelente solo.

“Dor Imortal” é puro Speed Metal, sem concessões. “Pesadelo Sul Americano” é outro ponto alto do disco, trazendo variações interessantes no andamento da canção, mas também começa a apresentar um problema comum em discos de Thrash Metal: andamentos muito semelhantes que podem saturar a audição, algo comum desde o revival do estilo no início dos anos 2000. “Sonho Negro” quebra essa sensação, com uma música poderosa, solo furioso, bateria incessante e um final muito bom. “Corporação do Terror” e “Canibal”, as últimas faixas do disco, não acrescentam tanto ao resultado final, mesmo sendo boas canções. É Thrash Metal Old School de ponta a ponta, mas sem trazer nada realmente inovador. Como dito, não são músicas ruins e fazem sentido no conjunto, encerrando o disco com violência. O álbum inclui uma faixa bônus, um cover de “Plano Furado” do Ratos de Porão, em uma versão mais Thrash que a original – uma boa adaptação.

“O Caos da Razão” é um bom álbum, que dá continuidade ao que Anthares fazia nos anos 80, com todos os elementos do gênero e, claro, seu próprio estilo de origem, agora com uma produção digna e bem executada. A adição de Diego foi relevante e deu novos ares a uma banda nunca esquecida, mas que precisava ressurgir. O único defeito do disco é que algumas faixas se parecem umas com as outras, mas nada que desabone o trabalho. No entanto, como Thrash Metal é um estilo em que violência e constância andam juntos, vale muito a pena ouvir.

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