
Apocalyptica – “Cell-O” (2020)
Nuclear Blast
#SymphonicMetal, #Instrumental
Para fãs de: Nightwish, Epica, Therion
Nota: 9,0
Eicca Toppinen, Paavo Lötjönen e Perttu Kivilaakso fazem com as quatro cordas de seus violoncelos o que muito guitarrista não faz com 6, 7 ou até 8 cordas no instrumento mais tradicional do Rock. Para marcar essa excelência e originalidade da banda, “Cell-O”, novo trabalho do Apocalyptica, marca a volta do quarteto finlandês (completado pelo baterista Mikko Sirén) às raízes, sem a presença de vocalista nenhum para macular a massa instrumental que emerge das 9 faixas do álbum.
O grande destaque sem dúvidas é a faixa que dá nome ao trabalho. Com pouco menos de 10 minutos de duração, o épico “Cell-O” traz um impressionante riff de guita… Ops, de violoncelo, pesado e marcante, para fã de metal tradicional nenhum botar defeito. Já “Rise”, que ganhou clipe e tudo, mostra algo que só os violoncelos e afins podem proporcionar: a presença de pizzicatos, quando o músico toca as cordas com a mão em pinça e não com o arco. Está aí uma particularidade do Apocalyptica que bandas “tradicionais” apenas com guitarristas não são capazes de executar.
Outro destaque é a música “Fire & Ice”, que lá pela metade do disco vem com a presença de Troy Donockley, o multi-instrumentista emprestado do Nightwish que traz em sua flauta um respiro para a massa de timbres relacionados ao violoncelo que pela natureza da banda acabam soando 90% das vezes em primeiro plano, ainda mais sem a presença de um vocalista. A parceria funcionou e a música é uma das mais emocionantes do disco.
No geral, “Cell-O” vai agradar os fãs mais antigos que conheceram o Apocalyptica pela veia instrumental. Por fim, as melodias instrumentais poderiam facilmente ser interpretadas pela voz humana caso assim alguém quisesse, em um atestado da criatividade e musicalidade dos finlandeses. A volta à antiga fórmula, quando bem-feita, vale muito a pena.
Gustavo Maiato





